O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), mobiliza sua influência política em Brasília na disputa pelo governo do Amapá, em que o ex-prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD), aparece como principal adversário do grupo governista do estado.

Alcolumbre não é candidato nesta eleição, mas atua diretamente na articulação da campanha. Sua próxima disputa por mandato seria a reeleição ao Senado, em 2030.

Alcolumbre indicou dois ministros de Estado, tem peso na articulação sobre a tramitação de emendas parlamentares no Congresso e influência sobre indicações a cargos federais, entre eles a direção da Codevasf, estatal de obras cuja área de atuação foi estendida ao Amapá.

Ele conta com o apoio da maior parte dos deputados estaduais e federais do Amapá, de 15 dos 16 prefeitos do estado, do líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), e do atual governador, Clécio Luís (União Brasil), eleito no primeiro turno há quatro anos.

Alcolumbre também montou a maior coligação desta eleição, com 12 partidos, articulada junto às direções nacionais das siglas. O presidente Lula esteve no Amapá durante a campanha, embora o estado costume ficar fora do radar das disputas nacionais.

Do outro lado, Dr. Furlan tem o apoio de apenas quatro partidos, mas construiu popularidade própria na capital, independente da articulação montada por Alcolumbre em Brasília.

Ele apostou em shows gratuitos, forte presença nas redes sociais e obras que mudaram a paisagem de Macapá, e se apresenta como prefeitão, prometendo levar seu modelo de gestão ao resto do estado.

Em 2024, Furlan foi reeleito prefeito de Macapá com 85% dos votos. O resultado pesa ainda mais no Amapá porque 55% dos 577 mil eleitores do estado estão na capital, e outros 15% moram na região metropolitana.

Na noite de 14 de agosto, véspera do início oficial da campanha, Alcolumbre passou quatro horas distribuindo abraços, ouvindo demandas e dançando brega numa feira em Macapá, evento retomado pela atual gestão municipal.

A disputa em casa ocorre enquanto Alcolumbre enfrenta pressão em outra frente: o senador Alessandro Vieira acionou o STF para forçar o Senado a instalar a CPI do Banco Master, que o presidente da Casa vem resistindo a abrir.

O que acontece agora

A campanha no Amapá segue até 4 de outubro, data da votação em primeiro turno para os governos estaduais. Sem maioria absoluta, o Estado vai a segundo turno três semanas depois.

Alcolumbre segue à frente da articulação política do grupo governista até lá; do outro lado, Furlan aposta em manter a popularidade que já lhe deu 85% dos votos na própria cidade.