O avanço houthi no Iêmen pesa além da guerra porque combina disputa territorial, rota do Mar Vermelho, petróleo e pressão sobre Donald Trump. Nesta segunda-feira (21), combatentes tentavam tomar posições montanhosas após o New York Times relatar que os EUA cancelaram ataques contra o grupo.

A Reuters, citada pelo Valor, informou que não conseguiu verificar imediatamente a reportagem do jornal americano. O Comando Central dos Estados Unidos encaminhou perguntas à Casa Branca, que não havia respondido de imediato.

O ponto militar é a geografia. Segundo Valor e InfoMoney, os houthis querem isolar a costa do Mar Vermelho das regiões ainda controladas por forças apoiadas pela Arábia Saudita, especialmente em áreas ligadas a Taiz e Lahij.

Esse movimento atualiza a escalada que a TV Sim Brasil já acompanhava quando os houthis assumiram o Bab al-Mandeb, passagem que liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico. Agora, a disputa saiu do estreito e voltou ao terreno.

Por que a rota marítima importa?

A rota marítima importa porque o Mar Vermelho virou alternativa para o escoamento saudita em meio à guerra regional, segundo a Folha. Confrontos pelo Bab el-Mandeb aumentam o risco sobre navios, petróleo e seguros, mesmo quando o preço diário ainda cai.

A tensão não impediu alívio no mercado nesta segunda. A Folha informou que o Brent recuou 3,5%, para US$ 100,22, enquanto o WTI caía 3,12%, a US$ 93,08, apesar dos ataques reivindicados pelos houthis perto de Riad.

Essa reação explica por que a crise ainda não virou choque automático de preço. O mercado também olhava a diplomacia entre EUA e Irã, tema ligado à queda do petróleo em meio à aposta diplomática.

Para o Brasil, o risco não está em um ataque isolado, mas em uma sequência que encareça frete, seguro e energia ao mesmo tempo. Foi esse temor que já apareceu na leitura sobre o ataque à Aramco e o choque do petróleo.

O que Trump decidiu até agora?

Trump decidiu, até agora, não assumir compromisso direto de apoio militar ao governo iemenita reconhecido internacionalmente, segundo fontes ouvidas pela Reuters e citadas pelo Valor. O presidente conversou no domingo com Rashid al-Alimi, aliado da Arábia Saudita.

O relato importa porque Riyad pressiona Washington por ajuda contra os houthis. A mesma disputa envolve o Irã, que apoia o grupo, e já levou a China a cobrar contenção de Teerã para proteger petróleo e rotas comerciais.

O custo humano já aparece nos dados da ONU.

A Reuters informou, com base nas Nações Unidas, que quase 700 pessoas morreram nos combates, milhares ficaram feridas e mais de 120 mil iemenitas deixaram suas casas dentro do país.

O que estou vendo agora é que os houthis adotam uma estratégia de expansão em duas frentes: militar e narrativa

A avaliação é de April Alley, especialista em Iêmen e pesquisadora sênior do Washington Institute, ouvida pela Folha. Na leitura dela, o grupo tenta combinar ganho territorial com discurso de resistência nacional contra interferências externas.

O custo da espera

A TV Sim Brasil observa que a espera americana reduz o risco imediato de uma guerra mais ampla, mas dá aos houthis tempo para testar limites. O petróleo ainda não disparou; a pergunta é quanto tempo essa separação entre mercado e guerra resiste.