Movimentos bruscos de aceleração, desaceleração e rotação em uma montanha-russa podem provocar lesões neurológicas mesmo sem pancada direta na cabeça. A explicação ganhou destaque após uma jovem perder movimentos depois de andar em atração do Hopi Hari, caso investigado pelo Ministério Público de São Paulo.

O g1 informou que a jovem teve hemorragia intracraniana e grande edema cerebral. A TV Sim já noticiou que o MP investiga o Hopi Hari após o episódio no interior paulista.

Segundo o neurologista Renato Anghinah, professor titular da Faculdade de Medicina do ABC e livre-docente da Faculdade de Medicina da USP, o cérebro não fica completamente imóvel dentro do crânio. Em uma desaceleração brusca, ele pode continuar em movimento e atingir paredes internas.

Isso ajuda a explicar por que uma lesão pode aparecer mesmo quando não há relato de batida direta na cabeça.

Como o cérebro pode se machucar?

O cérebro pode se machucar porque está protegido por líquido e meninges, mas ainda se desloca dentro de uma estrutura óssea fechada. Segundo Anghinah, esse movimento pode atingir paredes internas do crânio.

O g1 também cita risco para os axônios, estruturas que conectam neurônios. Em movimentos bruscos, eles podem se esticar, romper ou esgarçar, mecanismo associado à chamada lesão axonal difusa.

Outro mecanismo é o efeito chicote. Nesse caso, a cabeça é projetada com força para trás e depois para frente, movimento conhecido em colisões traseiras de automóveis e que pode afetar a coluna cervical.

O risco é comum?

O risco não é comum em pessoas saudáveis, segundo a revisão de casos citada pelo g1. A literatura médica registra problemas como dissecções de artérias, AVCs e hematomas subdurais após montanhas-russas, mas as ocorrências são raras.

Essa diferença importa para não transformar um caso grave em pânico geral. O ponto médico é que forças intensas podem afetar cérebro e vasos, enquanto a probabilidade de um evento desse tipo segue baixa para a maioria dos frequentadores.

A reportagem do g1 não afirma que toda montanha-russa seja perigosa. Ela descreve mecanismos possíveis quando há forças intensas sobre cabeça, pescoço e vasos que levam sangue ao cérebro.

O que observar depois de um impacto?

O que observar depois de um impacto ou movimento brusco é qualquer alteração neurológica persistente. No caso investigado, o sinal que levou a atenção pública foi a perda de movimentos de parte do corpo.

Alterações neurológicas não devem ser tratadas como desconforto comum de parque. A TV Sim também já explicou, em outro contexto, quando sinais do cérebro pedem avaliação médica.

O caso do Hopi Hari segue sob investigação. Até que a apuração esclareça a dinâmica completa, a leitura mais segura é separar duas coisas: o evento grave relatado e o risco raro descrito pela literatura médica.