A Halliburton assinou um memorando de entendimentos com a brasileira Eneva para avaliar oportunidades de petróleo e gás na Venezuela, segundo comunicado citado por Reuters e Valor nesta segunda-feira (21). A parceria mira negócios no país vizinho em momento de reabertura regulatória do setor.

Segundo a Reuters, publicada pelo InfoMoney, o acordo prevê colaboração para “identificar e buscar oportunidades” na Venezuela. O Valor informou que a parceria se apoia no relacionamento já existente entre Halliburton e Eneva no Brasil.

A Halliburton também assinou acordo com a venezuelana Wesca. De acordo com o Valor, esse segundo memorando prevê suporte técnico para avaliação de campos e planejamento de desenvolvimento, etapa anterior a qualquer decisão de investimento.

A Eneva já vinha avaliando potenciais negócios venezuelanos, incluindo projetos de geração térmica a gás, segundo executivos citados pela Reuters. A empresa brasileira atua em geração e gás natural, combinação que torna a Venezuela uma vitrine regional se o ambiente regulatório avançar.

O ponto central é que o memorando ainda não é projeto fechado.

Ele abre uma porta comercial, mas não resolve sozinho licença, financiamento, seguro e execução em campo.

Por que a Venezuela voltou ao radar?

A Venezuela voltou ao radar porque mudou regras para atrair capital estrangeiro ao setor de hidrocarbonetos. A Venezuela Energy Week informou que a reforma de janeiro de 2026 abriu espaço para contratos de operação e produção com participação privada.

A mesma publicação diz que a Halliburton reposicionou suas operações no país. Em abril, o CEO Jeff Miller afirmou que discutia termos comerciais com clientes; em julho, a Suprema Corte venezuelana ordenou a retomada de operações e a devolução de ativos antes apreendidos.

Esse contexto ajuda a explicar por que a Halliburton aparece ao lado da Eneva agora. A empresa americana acumula quase nove décadas de presença na região, segundo o Valor, e fornece serviços de perfuração, avaliação de reservatórios, completação e produção.

O que ainda trava o negócio?

O que ainda trava o negócio é a combinação entre sanções, financiamento e risco operacional. A S&P Global publicou em 18 de setembro que empresas americanas interessadas na Venezuela precisam de avaliação mais ampla que a economia dos campos.

Segundo a S&P Global, uma operação pode caber numa licença do Tesouro dos EUA e ainda assim parar em banco, seguradora ou triagem de embarcação. Licença não é contrato assinado, e contrato assinado também não garante campo produzindo.

Para o Brasil, a pauta conversa com a discussão sobre segurança energética. A TV Sim já mostrou o peso das termelétricas no leilão de capacidade e o efeito da geopolítica na cotação internacional do petróleo.

O próximo passo é saber se a avaliação vira projeto concreto e quais licenças serão necessárias. A discussão também se conecta à agenda energética acompanhada pelo Brasil, em que diplomacia e combustível caminham juntos.