A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou livres 30 de setembro e 1º de outubro enquanto avalia ida ao debate da TV Globo, segundo a CNN. Aliados de Flávio Bolsonaro (PL) dizem que o senador só irá se Lula comparecer.

A CNN informou que interlocutores de Lula ainda discutem a presença no debate marcado para 1º de outubro. A véspera ficaria reservada à preparação do candidato, caso a campanha decida aumentar a exposição na reta final.

Segundo a reportagem, Lula evitou debates até agora por avaliar que enfrentaria sozinho candidatos de direita e centro-direita. A mudança em estudo indica que a campanha passou a tratar o confronto direto como risco calculado, não apenas como ameaça.

A lista de convidados, de acordo com a CNN, inclui Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema. O desenho coloca o presidente diante de adversários que disputam faixas diferentes do eleitorado, mas miram o mesmo palco nacional.

Do lado de Flávio, a estratégia é esperar a definição petista. Aliados do senador avaliam que, sem Lula, ele poderia virar alvo preferencial dos demais candidatos, inclusive dos que compartilham eleitores de direita e centro-direita.

O cálculo ocorre num momento em que a disputa presidencial já vinha sendo pressionada por pesquisas e por estratégia de exposição.

A TV Sim mostrou nesta segunda-feira que Flávio apareceu à frente de Lula em São Paulo, recorte que ajuda a explicar por que o debate ganhou peso.

O que muda na estratégia de Lula?

O que muda na estratégia de Lula é a possibilidade de trocar preservação por confronto público na reta final. A CNN afirma que, em meio a mau momento nas pesquisas, a campanha petista reavalia agendas, amplia exposição e intensifica embates diretos com Flávio.

Depois de voltar da Assembleia-Geral da ONU, Lula deve concentrar atos de campanha. Segundo a CNN, a agenda prevê evento com artistas no Rio de Janeiro na quarta-feira (23), viagens a estados do Nordeste na sexta (25) e São Paulo no sábado (26).

Para a semana final, a campanha planeja caminhadas em Minas Gerais e São Paulo nas 48 horas que antecedem a votação. A TV Sim já explicou por que a aprovação de Lula não resolve a disputa, mesmo quando o presidente mantém base conhecida.

O que acontece agora

O que acontece agora é a definição da ida de Lula ao debate. Se o petista confirmar presença, a campanha de Flávio tende a levar o senador ao mesmo palco; se Lula faltar, aliados indicam que o plano do PL é não comparecer.

A decisão também afeta o uso do tempo de campanha.

Dois dias livres no calendário de Lula podem virar preparação para TV ou ser redistribuídos em atos de rua. Outras disputas seguem buscando visibilidade, como mostrou a TV Sim na análise sobre dinheiro e voto no Senado.