Ricardo Salles (Novo-SP), candidato ao Senado por São Paulo, chamou de eleitoreira a proposta de fim da escala 6x1 e disse que votaria contra a medida novamente. A fala ocorreu nesta segunda-feira (21), em debate promovido por Folha de S.Paulo e UOL.

A declaração veio após pergunta de Marina Silva (Rede), também candidata ao Senado por São Paulo. Segundo o Poder360, Marina questionou como Salles justificava ter votado contra a proposta na Câmara dos Deputados.

"Eu, como deputada federal, votei pelo fim da escala 6 X 1. Como senadora, eu vou trabalhar para acabar com a escala seis por um", disse Marina.

Salles respondeu que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usa o tema eleitoralmente e afirmou que não houve estudo de impacto econômico. A discussão atualiza uma pauta que já travou no Senado, onde Alcolumbre segurou a 6x1 junto de outros pedidos.

"O governo Lula tá usando essa matéria para eleitoreira, não fez nenhum estudo de impacto", afirmou Salles. O candidato disse ainda que, se a economia cair, trabalhadores poderiam perder emprego, "não importa se é 6 X 1, 7 X 0, 5 X 2".

O que Salles defendeu no debate?

Salles defendeu no debate a flexibilização das relações trabalhistas. Ele disse que patrões e empregados deveriam escolher como contratar, por tarefa, dia ou hora, e afirmou que votaria contra novamente o fim da escala 6x1.

A fala recoloca o tema trabalhista no centro da campanha paulista ao Senado. Em maio, segundo levantamento citado pelo Brasil de Fato, Salles esteve entre os deputados federais que votaram contra a PEC quando o texto passou pela Câmara.

O UOL registrou que a proposta foi aprovada na Câmara em dois turnos. No primeiro, foram 472 votos a favor e 22 contra, o que deixa Salles num grupo minoritário entre os deputados que rejeitaram a mudança.

Para o eleitor, a diferença prática está entre reduzir a jornada por regra nacional ou deixar o acordo de trabalho mais aberto à negociação direta.

Por que a fala importa na disputa?

A fala importa na disputa porque o Senado terá papel direto se a pauta voltar a andar no Congresso. O debate reuniu Salles, Marina, Simone Tebet (PSB), Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL).

A corrida paulista já vinha embolada. A TV Sim publicou que cinco nomes disputam as vagas ao Senado em SP, cenário em que temas de trabalho, segurança e STF viraram marcadores de campo.

Folha e UOL descreveram o debate como uma disputa polarizada, com embates entre candidaturas de direita e críticas de Marina e Tebet a adversários. A campanha de Salles já tinha sido marcada por confronto semelhante quando ele atacou Prado, Tebet e Marina em debate anterior.

O próximo efeito político deve aparecer na forma como cada candidatura explora a votação da Câmara. Marina tenta vincular a pauta à proteção do trabalhador; Salles usa o mesmo tema para defender flexibilização e atacar o governo Lula.