O Bank of America foi multado em US$ 1,2 bilhão pelo Tesouro dos Estados Unidos, por falhas no combate à lavagem de dinheiro e ao cumprimento de sanções econômicas. A penalidade, anunciada nesta quarta-feira (14), é a terceira maior da história do órgão.

Do total, US$ 750 milhões vieram de uma multa civil do Escritório do Controlador da Moeda (OCC), a maior da história do órgão.

O banco também fechou um acordo de US$ 11,6 milhões com o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), por 475 aparentes violações de sanções envolvendo Rússia e Irã.

O banco terceirizou para terceiros uma parte substancial de sua obrigação de detectar e reportar atividades suspeitas de forma proativa.

O banco admitiu ter violado de forma deliberada a Lei de Sigilo Bancário (BSA) dos EUA, segundo o FinCEN. A instituição não reportou mais de US$ 5 bilhões em atividades suspeitas às autoridades americanas.

Mais de US$ 1 bilhão desse total envolvia redes de lavagem de dinheiro chinesas e atividade ilícita na fronteira sudoeste dos EUA.

É esse tipo de falha que torna esta uma das maiores multas já aplicadas pelo Tesouro americano.

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A multa afeta diretamente o balanço do banco. O Bank of America anuncia nesta quarta o resultado do terceiro trimestre, com uma despesa extraordinária de US$ 1,2 bilhão que reduz o lucro em cerca de 17 centavos por ação.

O lucro do banco somou US$ 6,9 bilhões no trimestre, 17% menor que no mesmo período do ano passado. A receita cresceu 3%, a US$ 30 bilhões, mas ficou abaixo do consenso de Wall Street.

As ações do banco, sediado em Charlotte, na Carolina do Norte, caíram 4% no pré-mercado após o anúncio.

A penalidade de hoje segue uma ordem de consentimento de 2024, já imposta pelo OCC, que exigia correção nas falhas de fiscalização contra lavagem de dinheiro. Desde o fim de 2023, o banco diz trabalhar com reguladores para reformular essas proteções.

A temporada de resultados dos grandes bancos americanos segue em curso. Nesta semana, o JPMorgan também lucrou US$ 15,3 bilhões, abaixo do previsto por Wall Street.

O JPMorgan também esteve nas notícias desta semana por outro motivo. O banco rebaixou a recomendação para as ações do Banco do Brasil, mas manteve a do Bradesco.

O combate à lavagem de dinheiro também está em pauta no Brasil. O Coaf, órgão equivalente ao FinCEN americano, autorizou bancos a usar nuvem de terceiros, mas vetou o uso desses dados para treinar IA.

O que acontece agora

O Bank of America segue sob ordem de supervisão especial do OFAC e precisa trabalhar com um terceiro independente para identificar transações suspeitas que não foram detectadas. O banco diz que já investiu bilhões de dólares em tecnologia para reforçar o combate a crimes financeiros.