O Amazonas teve 1.679 incêndios florestais nas duas primeiras semanas de outubro, alta de 253% sobre o mesmo período de 2025, segundo o Censipam. Cientistas atribuem o salto ao El Niño deste ano, que deve ser o mais forte já registrado.

Em Manaus, a fumaça dos incêndios levou ao fechamento das escolas públicas e ao cancelamento de eventos ao ar livre na cidade, de mais de 2 milhões de habitantes. O Amazonas decretou estado de emergência em pelo menos 36 municípios.

Em Autazes (AM), o agricultor aposentado Luiz Rios relatou dificuldade para respirar à noite, com o rosto chegando a inchar.

"Nossa situação é crítica aqui", disse ele à Reuters.

Para o geógrafo e pesquisador Carlos Durigan, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), a combinação de calor extremo e falta de água é o que torna o cenário perigoso.

O estresse hídrico e o estresse térmico vêm com uma força muito grande e gerando um cenário potencialmente bastante perigoso, que coloca em risco, baseado em ações humanas, esta biodiversidade, a saúde das pessoas, a produtividade desses territórios e afeta pessoas que estão tanto na zona rural quanto na área urbana.

Os incêndios no Amazonas vêm se acelerando mês a mês neste El Niño.

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O governo federal já havia reagido à crise. Dias antes, Lula enviou 290 brigadistas e seis aeronaves ao Amazonas, incluindo aviões da FAB.

O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, sobrevoou o estado no domingo (11) e avistou incêndios dentro de florestas protegidas.

O risco já havia sido antecipado. Em setembro, um El Niño classificado como muito forte elevou o risco de seca e incêndio no Brasil.

O fenômeno também castiga o Sudeste Asiático. Na Indonésia, incêndios em Bornéu e Sumatra cobrem a região de fumaça há meses, e a Malásia chegou a fechar escolas em Kuala Lumpur. Em Mianmar, uma onda de calor incomum ameaça provocar cortes de energia.

A preocupação chegou às finanças globais. A diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, afirmou que a entidade está muito preocupada com abalos à segurança alimentar causados pelo fenômeno.

O impacto econômico já havia chegado ao Brasil por outra via. Em outubro, o El Niño matou gado na América Central e encareceu a ração por aqui.

O que acontece agora

A estação chuvosa, que costuma começar em outubro e historicamente alivia os incêndios na Amazônia, está atrasada neste ano. Enquanto as chuvas não chegam com força, brigadistas e aeronaves seguem no combate às chamas no Amazonas.

O ponto em aberto

Cientistas classificam este El Niño como o mais forte já registrado, mas a dimensão final dos efeitos em cada região ainda está sendo mapeada. A pergunta que fica é se o reforço enviado ao Amazonas será suficiente até a estação chuvosa, atrasada, finalmente chegar.