O JPMorgan rebaixou a recomendação do Banco do Brasil (BBAS3) de neutra para venda nesta terça-feira (6), e elevou a do Bradesco (BBDC4) para compra. A ação do BB caiu 6,42% no dia, enquanto a do Bradesco subiu 4,40% na mesma sessão.

O banco americano cita a demora na recuperação operacional do Banco do Brasil e a exposição do banco estatal ao crédito agro, que deve limitar os ganhos de uma eventual queda da Selic em comparação com os bancos privados.

Fachada de agência do Banco do Brasil, com logo e letreiro do banco
Foto: Joel Abroad/flickr via Openverse (BY-SA)

O que mudou nos preços-alvo

O preço-alvo do JPMorgan para o Banco do Brasil subiu pouco, de R$ 22 para R$ 23, 13% abaixo da cotação atual. Já o alvo do Bradesco saltou de R$ 22 para R$ 26, e o do Itaú, de R$ 51 para R$ 60.

O JPMorgan também reduziu em cerca de 1,5 ponto percentual as premissas de custo de capital usadas nos cálculos, o que explica de 15% a 20% do aumento nos preços-alvo da maioria dos bancos.

Para o Banco do Brasil, porém, o efeito foi parcialmente anulado. O JPMorgan cortou as estimativas de lucro do banco em 4% a 5%, citando a deterioração da carteira de crédito ligada ao agronegócio.

O mesmo rali que turbinou os bancos privados jogou luz sobre o ponto mais frágil do Banco do Brasil: o crédito rural.

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O rebaixamento ocorre em meio a um rali amplo do mercado. Nesta terça, o Ibovespa bateu 206 mil pontos e o dólar caiu a R$ 5, no primeiro pregão após o primeiro turno das eleições.

Outras ações também dispararam no mesmo movimento. Magalu subiu 24% na bolsa, e Localiza e Vamos avançaram 20% cada uma.

Nos Estados Unidos, o otimismo se repetiu: ações brasileiras chegaram a disparar até 15% em Nova York na mesma leva do pós-eleição.

O Bradesco, elevado a compra pelo JPMorgan, vinha de um movimento de fortalecimento: a instituição captou R$ 6,5 bilhões de um aumento de capital de R$ 10 bilhões anunciado em setembro.

O ponto em aberto

O rebaixamento expõe uma tensão simples: a mesma exposição ao agronegócio que o JPMorgan aponta como risco também distingue o Banco do Brasil dos concorrentes privados. O banco não vê catalisador de mudança no curto prazo, e a recuperação plena só deve vir em 2028.