A Colômbia inaugurou nesta quarta-feira (14) sua embaixada em Jerusalém, decisão do presidente Abelardo de la Espriella, aliado de Trump. O país se junta a um grupo pequeno de nações com representação na cidade, cujo status de capital de Israel o mundo majoritariamente não reconhece.
A cerimônia reuniu o chanceler israelense Gideon Saar, o colombiano Omar Bula, a embaixadora Tania Gilinski e o prefeito de Jerusalém, Moshe Lion. "É uma data importante para o Estado de Israel. É também uma data importante para a cidade de Jerusalém", disse Saar.
Por que a Colômbia mudou de lado
As relações entre Colômbia e Israel haviam sido rompidas em 2024 pelo então presidente Gustavo Petro, em protesto contra a ofensiva militar israelense em Gaza. Israel chamou o rompimento de "antissemita".
Espriella, conservador que assumiu o cargo em 2026, reverteu a posição: restabeleceu o acordo de livre comércio com Israel e, em agosto, reconheceu a soberania israelense sobre as Colinas de Golã, território tomado da Síria em 1967.
"A relação entre Colômbia e Israel jamais deveria ter sido interrompida", disse o chanceler Bula, classificando a embaixada como um "passo concreto" rumo à normalização.
A abertura ocorre no mesmo dia em que o governo Espriella enfrenta nas ruas os primeiros grandes protestos contra suas políticas. Na véspera, ele assinou decreto que endurece a resposta das autoridades às manifestações.
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O clube pequeno de Jerusalém
Antes da Colômbia, apenas nove países mantinham embaixada em Jerusalém: Estados Unidos, Guatemala, Honduras, Kosovo, Papua-Nova Guiné, Fiji, Paraguai, Nauru e Samoa. A Somalilândia abriu a sua em junho.
O presidente argentino, Javier Milei, já anunciou que vai mudar a embaixada da Argentina de Tel Aviv para Jerusalém ainda em 2026, no mesmo movimento de governos de direita alinhados a Trump na região.
O Brasil chegou perto de entrar nessa lista. Em 2018, durante a posse de Jair Bolsonaro, Netanyahu esteve presente e o então presidente eleito disse que mudar a embaixada brasileira para Jerusalém era "questão de tempo".
A promessa não saiu do papel. A resistência do agronegócio, preocupado com os laços comerciais com países árabes, contribuiu para o recuo, e o Brasil mantém hoje apenas um escritório comercial em Jerusalém, com a embaixada em Tel Aviv.
Em agosto, quando Espriella tomou posse na Colômbia, Lula não compareceu à cerimônia e enviou o chanceler Mauro Vieira em seu lugar.
Em outubro, a reação ao 1º turno das eleições brasileiras já havia dividido opiniões em Israel, Venezuela e Colômbia, mostrando como o resultado em Brasília repercute nesse eixo diplomático.
Dias antes da embaixada ser inaugurada, Netanyahu convidou o candidato Flávio Bolsonaro, filho de Jair, para visitar Israel, no mesmo movimento que a imprensa já descreve como teste da estratégia regional de Trump.
O ponto em aberto
O Brasil já teve a chance de fazer o mesmo gesto que a Colômbia faz agora, e recuou. Fica em aberto se o atual alinhamento de governos latino-americanos de direita com Israel e os Estados Unidos reabre esse debate por aqui.





























