A Agência Internacional de Energia (IEA) alertou nesta quarta-feira (14) que a escassez global de diesel pode persistir até boa parte de 2027. O órgão aponta as guerras no Oriente Médio e na Rússia como as principais causas da redução no refino do combustível.

As margens de refino do diesel, o prêmio do combustível sobre o petróleo bruto, bateram recorde em setembro, perto de US$ 95 por barril. Ataques à infraestrutura energética ligados às guerras no Irã e na Ucrânia reduziram a capacidade de refino no mundo.

O petróleo também ficou mais caro. O barril do Brent, referência internacional, custava cerca de US$ 70 antes da guerra entre Estados Unidos, Irã e Israel; nesta quarta, era negociado a US$ 105,86.

A guerra no Oriente Médio é o que mais pesa no preço do petróleo hoje.

Os preços recordes já afetam a economia americana. A inflação de setembro nos Estados Unidos veio acima do esperado, com alta de 0,6% no mês e 3,7% no acumulado do ano. Os combustíveis pesaram nessa conta, com a gasolina subindo 9,1% em 2026.

O Brasil sente o efeito diretamente no preço dos postos. Dias antes do alerta da IEA, o governo elevou o subsídio ao diesel importado para R$ 3,52 por litro.

Uma portaria do Ministério da Fazenda, publicada na terça-feira (13), regulamentou o adicional de R$ 1,40 por litro na subvenção a importadores de diesel. A medida vale por 30 dias e custa R$ 1,6 bilhão aos cofres públicos nesse período.

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O governo tomou uma segunda medida no mesmo pacote. Ele também zerou o imposto sobre a gasolina por causa da mesma guerra no Oriente Médio.

O prazo até 2027 já havia aparecido antes por outra via. Em julho, a Rússia prorrogou até 2027 o veto à venda de diesel a intermediários brasileiros.

O que acontece agora

A IEA prevê recuperação nas refinarias globais só no fim do ano, insuficiente para repor o estoque perdido em 2026. A oferta mundial de petróleo só deve voltar a crescer com força em 2027, diz a agência.

O ponto em aberto

O governo brasileiro trata o subsídio ao diesel como medida temporária, renovada a cada 30 dias desde que a guerra no Oriente Médio começou a pressionar os preços.

A pergunta que fica é até quando o Tesouro vai sustentar esse custo, caso a IEA esteja certa sobre a escassez se estender até 2027.