A Agência Nacional do Petróleo (ANP) arrecadou R$ 3 bilhões em bônus de assinatura no leilão do 6º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão, a maior arrecadação da história do modelo. A Petrobras pagou R$ 2,92 bilhões por 12 blocos na Bacia de Campos.

Do total pago pela estatal, R$ 2,9 bilhões foram pelos 8 blocos do setor SC-AUP1, o mais disputado do leilão. Outros 3 blocos no SC-AP1 custaram R$ 19,9 milhões, e 1 bloco no SC-AUP2 saiu por R$ 3,9 milhões.

A Petrobras levou 19 dos 49 blocos arrematados e respondeu por mais de 97% de toda a arrecadação do leilão.

O ágio médio do leilão chegou a 3.511% sobre o preço mínimo dos blocos. O maior bônus individual pago por uma única área foi de R$ 754,2 milhões, mas duas bacias ficaram sem nenhum lance: Santos, com 120 blocos ofertados, e Espírito Santo, com 9.

No mesmo dia, a ANP também realizou o 4º Ciclo de Partilha, exclusivo para blocos do pré-sal. Foram arrematadas 7 das 13 áreas ofertadas, com R$ 530,47 milhões em bônus e R$ 778,4 milhões em investimento prometido.

Prio, Equinor Brasil e os consórcios CNOOC-Sinopec e Equinor-Galp dividiram essas áreas com a Petrobras, que também venceu blocos nesse ciclo.

Por que a Margem Equatorial virou prioridade da Petrobras

A Margem Equatorial é a aposta da Petrobras contra o declínio do pré-sal nos próximos anos, parte da estratégia de R$ 13 bilhões que a estatal já havia anunciado para a região, agora reforçada com a entrada na Bacia do Ceará.

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Em consórcio com a Qatar Energy, dona de 30% da parceria, a Petrobras arrematou 7 dos 8 blocos ofertados ali por R$ 28,46 milhões.

A bacia fica na mesma província geológica da Foz do Amazonas, onde a Petrobras já confirmou indícios de petróleo em agosto. É essa vizinhança geológica que torna os blocos do Ceará atraentes, mesmo sem nenhum poço em água profunda perfurado ali até hoje.

Antes de qualquer produção, a área ainda passa por análise de dados, licenciamento ambiental, perfuração exploratória e teste de viabilidade econômica.

O que falta para a exploração começar

O licenciamento ambiental é o maior obstáculo da Margem Equatorial. O Ibama liberou, em outubro de 2025, a perfuração exploratória da Petrobras na Foz do Amazonas contrariando parecer técnico do próprio órgão, que apontava risco de mortandade de espécies marinhas em caso de vazamento.

O Ministério Público Federal chegou a recomendar que o Ibama suspendesse o avanço do licenciamento até a Petrobras comprovar capacidade de resposta a um vazamento de óleo. A licença concedida vale só para a etapa exploratória, sem autorizar produção.

Hoje, a Margem Equatorial tem cinco campos em produção, todos na Bacia Potiguar.

O que acontece agora

Para os 49 blocos arrematados no 6º Ciclo, o próximo passo é a assinatura dos contratos de concessão com a ANP, condição para iniciar os estudos que antecedem a perfuração. Na Bacia do Ceará, a etapa seguinte é o licenciamento ambiental específico para cada poço.

Os blocos do pré-sal que ficaram sem oferta seguem disponíveis para os próximos ciclos da Oferta Permanente, que a ANP realiza periodicamente.