A Ore Minerals, mineradora brasileira de terras raras, negocia investimento com fundos chineses interessados em financiar e dar tecnologia às suas operações no Brasil. A informação é do CEO João Gustavo de Morais, em entrevista ao programa Mapa da Mina, da CNN Brasil.

Estamos conversando com investidores, temos acordos assinados já com alguns players e alguns fundos de investimentos lá, muito interessados em fazer investimentos no Brasil.

Morais afirma que a empresa já tem acordos de confidencialidade assinados com parte desses fundos chineses. Segundo ele, "os chineses estão muito interessados no país".

A Ore Minerals foi convidada pelo Ministério de Minas e Energia, em parceria com a Apex Brasil, para participar pela segunda vez de um evento em Pequim. A empresa foi selecionada como uma das mineradoras mais promissoras do país.

Segundo o executivo, a mina de Rio Negro, operada pela empresa, é 3 vezes maior que a de Zundong, na China, considerada a maior mina de terras raras do mundo.

Por que a China quer minerais críticos no Brasil

A China quer garantir fornecimento de terras raras porque concentra quase todo o refino mundial do material, etapa que exige tecnologia própria. O Brasil tem a 2ª maior reserva do planeta, atrás só da própria China.

Essa dependência tecnológica é o motivo pelo qual Morais defende copiar soluções já usadas lá fora para separar os óxidos de terras raras, etapa mais sensível ao meio ambiente.

Publicidade

"A gente não precisa inventar roda, a gente pode copiar o que funciona em outros países", disse o CEO.

O interesse chinês não é isolado. Em setembro, a australiana Lynas comprou um projeto de terras raras em Minas Gerais por R$ 3,5 bilhões.

No mesmo período, o Sul de Minas virou disputa global pelo mineral. O Brasil tenta aproveitar essa corrida para deixar de só exportar minério bruto e passar a processar o material dentro do país.

O que acontece agora

Morais não detalhou valores nem prazo para o fechamento dos acordos com os fundos chineses. A Ore Minerals segue em negociação enquanto avança os estudos na mina de Rio Negro.

O avanço chinês no setor acontece no mesmo momento em que o governo brasileiro tenta atrair capital próprio para a cadeia de minerais críticos: em setembro, o presidente Lula sancionou uma lei de R$ 7 bilhões para financiar o setor.