Exportadores privados dos Estados Unidos venderam 470 mil toneladas de soja à China nesta quarta-feira (14), informou o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), em meio à disputa com o Brasil pelo mercado chinês. A entrega é prevista para o ano comercial 2026/27.

Pela lei americana, exportadores precisam reportar em até um dia vendas de 100 mil toneladas ou mais de uma commodity, ou de 200 mil toneladas ou mais para um único destino. Foi essa regra que tornou pública a venda desta quarta.

Por que o Brasil ainda lidera a disputa

Mesmo com a nova venda, os Estados Unidos seguem atrás. A China tem hoje cerca de 28 milhões de toneladas de soja contratadas do Brasil neste ciclo, contra 13,73 milhões de toneladas dos americanos.

A diferença também aparece na tarifa: a soja brasileira paga 3% para entrar na China, a americana paga 13%. O acordo Trump-Xi previa compra mínima de 25 milhões de toneladas americanas por ano, por três safras a partir de 2026.

Até esta quarta, os Estados Unidos haviam cumprido 55% dessa meta anual, com 11,3 milhões de toneladas ainda por contratar. Para outubro, a demanda chinesa já está quase toda coberta: 10,49 milhões de toneladas contratadas para uma necessidade estimada em 10,5 milhões.

"A China entra nos próximos meses com uma parcela importante da sua necessidade já coberta e, por isso, pode esperar para avaliar preços", disse Isabella Pliego, analista da consultoria Biond Agro.

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Em 25 de setembro, a TV Sim Brasil mostrou que a China havia reduzido as compras de soja do Brasil a menos de cinco cargas em duas semanas, depois que Trump e Xi estenderam a trégua comercial até janeiro de 2027.

Os números desta quarta mostram que a retomada americana segue lenta. Os 470 mil toneladas vendidos hoje são uma fração pequena diante dos 11,3 milhões que ainda faltam para a meta do acordo.

O mesmo acordo que cortou tarifas entre os dois países em US$ 30 bilhões não alterou a vantagem tarifária brasileira na soja.

O que acontece agora

O USDA já projeta uma safra recorde de soja no Brasil para 2026/27, e o plantio no país avança no ritmo mais rápido já registrado.

Com a colheita entrando no mercado nos próximos meses, a China deve seguir de olho no preço.