O sargento da Polícia Militar Samir Carvalho responde a júri popular nesta quarta-feira (14), no Fórum de Santos, acusado de matar a esposa Amanda Fernandes Carvalho, de 42 anos, com tiros e facadas, numa clínica dermatológica, em maio de 2025.

Ele também é acusado de atirar contra a filha do casal, então com 10 anos, que tentou proteger a mãe. A menina foi atingida por dois disparos e sobreviveu.

O julgamento começou às 9h30 desta quarta, segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). Treze testemunhas devem ser ouvidas, além do interrogatório do réu.

Segundo o boletim de ocorrência, Amanda chegou à clínica acompanhada da filha e, em seguida, contou a uma funcionária que recebia ameaças do marido, armado. Mãe e filha se trancaram num consultório, e um médico da unidade chamou a polícia.

Os policiais fizeram uma pré-averiguação e, achando que o sargento estava desarmado, permitiram a abertura da porta do consultório. Foi nesse momento que ele pegou uma arma guardada em outra sala e atirou pelo menos dez vezes contra as duas.

Na sequência, ele pegou uma faca e desferiu 51 golpes contra Amanda, que morreu no local.

Publicidade

A perícia apontou que Amanda sofreu ferimentos de arma de fogo e de arma branca.

A filha foi socorrida, passou por cirurgia e sobreviveu.

O Ministério Público denunciou Samir por feminicídio, com agravantes como motivo torpe e crueldade, e por tentativa de homicídio qualificado contra a própria filha.

Amanda era mãe de três filhos e dirigia a empresa Eaglefest havia mais de três anos. Ela era graduada em Logística e também concluiu um curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas.

Julgamentos como este se tornaram mais frequentes na Justiça paulista e mineira nos últimos meses. Em Minas Gerais, o autor de um feminicídio em Juatuba foi condenado a 65 anos de prisão.

Em Mato Grosso, outro caso corre em paralelo. Um homem acusado de matar e enterrar a esposa também foi a júri popular neste mês.

Casos com filhos como vítimas ou testemunhas também chegaram à Justiça recentemente. Em Belo Horizonte, uma mulher foi a júri acusada de matar mãe e filha de 10 anos.

O que acontece agora

O júri deve se estender ao longo do dia, com veredito esperado ainda nesta quarta-feira. Em caso de condenação, cabe recurso, como em qualquer julgamento no tribunal do júri.