O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, foi a Londres nesta quarta-feira (14) para pedir mais apoio militar ao primeiro-ministro britânico, Andy Burnham. O Reino Unido prometeu novos mísseis antiaéreos, dias depois de Trump sugerir que Zelensky fosse substituído na liderança do país.

O encontro ocorreu em Downing Street e incluiu uma audiência com o rei Carlos III. Segundo o gabinete de Burnham, o governo britânico vai dar apoio urgente a Kiev e acelerar a entrega de mísseis LMM, usados contra drones russos, antes do inverno.

Zelensky cumprimenta o ministro das Relações Exteriores da Polônia, Radosław Sikorski, durante encontro em Kiev
Zelensky recebe chefes de governo europeus para discutir apoio militar; imagem de arquivo de 2023 Foto: Ministry of Foreign Affairs Republic of Poland/Wikimedia Commons (CC BY 3.0 pl)

"O apoio da Grã-Bretanha à Ucrânia não vai mudar", disse Burnham.

Ele reconheceu que os últimos dias foram difíceis para a Ucrânia e prometeu mais apoio militar ao país. Zelensky cobrou reação mais dura dos aliados.

Pedimos aos Estados Unidos e a todos no mundo que não fecham os olhos para a realidade que respondam, e que respondam com força.

A reunião ocorre num momento delicado para Kiev. Trump disse no fim de semana que Zelensky deveria ser substituído na liderança da Ucrânia.

O presidente americano fechou, dias antes, um acordo com Moscou para suspender as sanções sobre o diesel russo, pelo qual a Rússia vai fornecer mais de 2,25 milhões de barris de diesel aos mercados dos Estados Unidos e global.

Segundo a CNN Brasil, os enviados de Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, disseram a autoridades ucranianas, em reunião em Miami, que o presidente russo, Vladimir Putin, não está disposto a negociar o fim da guerra.

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Os dois afirmaram que o acordo do diesel poderia atrair a Rússia de volta à mesa de negociações. Legisladores americanos criticaram a medida por dar receita a Moscou para seguir o conflito.

O Reino Unido disse não apoiar o acordo e pediu aos aliados que mantenham a pressão econômica sobre o Kremlin. A reunião em Londres chega bem quando Washington sinaliza abertura à Rússia, e Burnham tenta reafirmar que o apoio britânico segue de pé.

A visita ocorreu horas depois de um ataque russo em grande escala. Segundo o Click2Houston, a Rússia lançou 39 mísseis balísticos e 120 drones na noite anterior à reunião.

O bombardeio sobre Kiev matou cinco pessoas e feriu outras 36, e deixou 600 mil pessoas sem energia elétrica na capital ucraniana.

O que acontece agora

Burnham vai informar a Zelensky que determinou ao gabinete britânico preparar novas sanções contra a Rússia, apoio militar adicional e pacotes fiscais nas próximas semanas, segundo a UPI. Não há data anunciada para a entrega dos mísseis LMM nem para o novo pacote de sanções.

No braço de força sobre as refinarias russas, Zelensky vinha condicionando o fim dos ataques a uma trégua recíproca de Moscou.

O acordo do diesel também já provoca efeitos no mercado que abastece o Brasil, segundo maior comprador do diesel russo liberado por Trump.

Isso ocorre meses depois de o próprio presidente americano ter culpado a Ucrânia pela escassez do combustível.