O Banco do Povo da China, banco central do país, autorizou a Visa a preparar uma empresa de compensação de cartões bancários no país. A aprovação, concedida nesta terça-feira (13), encerra anos de espera da bandeira para entrar no mercado chinês.
A autorização foi concedida à Visa Information Technology (Beijing), subsidiária de capital estrangeiro criada pela Visa no país. A empresa tem um ano para concluir os preparativos e, depois, poderá pedir autorização para começar a operar, segundo o banco central chinês.
Em comunicado, o CEO da Visa, Ryan McInerney, disse que a aprovação representa "um avanço significativo no compromisso de longa data da Visa com a China".
O pedido original da Visa é de novembro de 2018, segundo o portal português RTP, e a aprovação leva quase oito anos para sair.
A Mastercard já opera na China desde maio de 2024, depois de aprovada em novembro de 2023. A American Express foi licenciada ainda em 2020.
Para George Chen, sócio da consultoria The Asia Group, a aprovação é um gesto de boa vontade de Pequim para Washington antes do encontro entre Xi Jinping e Donald Trump, previsto para novembro, na cúpula da APEC em Shenzhen.
A aprovação também vem depois de uma cúpula entre Trump e Xi Jinping no início deste ano, da qual participaram mais de uma dúzia de CEOs de grandes empresas americanas, entre eles os da Visa e da Mastercard, segundo a Reuters.
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O que a disputa tem a ver com o Brasil?
A chinesa UnionPay, dona do mercado interno chinês, já disputa espaço no Brasil: cartões internacionais da bandeira são aceitos em pontos turísticos do Rio e de São Paulo desde 2023, e a operação formal no país começou em 2025, em parceria com a fintech Left.
A diferença de taxas explica o apetite da UnionPay por fora da China.
A UnionPay cobra 0,25% dos lojistas na China, bem menos que os 3% ou mais cobrados por Visa e Mastercard no Brasil e no mundo.
É essa vantagem de custo que turbina a expansão da bandeira chinesa para fora de casa, inclusive no Brasil.
A UnionPay soma mais de 9 bilhões de cartões em circulação, em mais de 180 países. A rede processou 228 bilhões de transações em 2023, à frente da Mastercard e atrás da Visa, que processou 267 bilhões no mesmo ano.
No Brasil, a Mastercard lidera o mercado de bandeiras, com 51% de participação, segundo o InfinitePay. A Visa vem em segundo lugar, com 31%.
A própria Visa tem investido no país: lançou neste ano o Visa Conecta, solução de pagamento via Pix por biometria. A autorização chinesa também é mais um passo da abertura financeira do país, que neste ano avança na internacionalização do yuan.
O que acontece agora
A Visa tem um ano para concluir os preparativos na China e, depois, poderá pedir a licença definitiva de compensação de cartões. Xi Jinping e Donald Trump devem se reencontrar em novembro, na cúpula da APEC em Shenzhen.





























