A Globo cancelou o debate presidencial que exibiria nesta quinta-feira (1º), horas antes do horário marcado, 21h30. No lugar, foi ao ar um capítulo inédito da novela "Quem Ama Cuida". A emissora atribuiu a decisão a "sucessivas decisões judiciais" tomadas pouco antes do programa.
"Por essa razão, a Globo decidiu cancelar o debate desta noite", disse a emissora em nota, classificando as decisões como causadoras de "insegurança jurídica" e "uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais".
Por que a Justiça pesou tanto neste debate
A crise começou com a ministra Estela Aranha, do TSE, que proibiu a Globo de exibir um púlpito vazio com o nome do presidente Lula (PT), ausente, e de permitir perguntas dirigidas a ele. A equipe de Flávio Bolsonaro (PL) chamou a decisão de "censura".
"Acabo de tomar a decisão de não ir ao debate da Globo em função da censura imposta ao evento pelo TSE", escreveu Flávio nas redes, horas antes do cancelamento.
No mesmo dia, o ministro Gilmar Mendes, do STF, derrubou uma decisão anterior do TSE e determinou que a Globo incluísse o candidato Renan Santos (Missão) no debate. A exigência somou-se à autorização já dada a Romeu Zema (Novo) na véspera.
Como a disputa interna dividiu a campanha de Flávio
A decisão de Flávio não era consenso entre aliados: uma ala defendia manter a presença, por temer desgaste com o eleitor por faltar ao último encontro antes da votação. Outra avaliava que, sem Lula no estúdio, o debate perdia interesse estratégico para o senador.
Lula, por sua vez, já tinha avisado que não iria. Ele participou de uma entrevista no podcast Flow no mesmo horário em que o debate seria exibido.
Com isso, os dois primeiros colocados nas pesquisas ficaram de fora do último confronto televisionado antes da votação de domingo (4).
O TSE havia negado Renan Santos e liberado Zema num primeiro momento, antes de Gilmar Mendes reverter parte dessa decisão.
O ponto em aberto
A pesquisa Datafolha, que ouviu 2.506 eleitores entre 28 e 30 de setembro, com margem de erro de 2 pontos e registro TSE BR-08039/2026, mostra Lula com 42% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio com 38%.
Os dois subiram 2 pontos frente à rodada anterior, de 24 de setembro, quando tinham 40% e 36%. A distância entre eles permanece em 4 pontos.
Com o debate cancelado e a distância entre os favoritos estável há duas semanas, a reta final da campanha perde o espaço que normalmente serviria para confrontar os candidatos frente a frente.
Fica em aberto se o eleitor ainda indeciso (2% no levantamento mais recente) vai decidir o voto de domingo sem ver Lula e Flávio debaterem diretamente em nenhum momento desta campanha.























































