Um total de 68% dos eleitores brasileiros é a favor de o SUS oferecer de graça as chamadas canetas emagrecedoras para combater a obesidade, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (1º). Outros 26% são contra, e 6% se dizem indiferentes ou não opinaram.
O instituto, ligado à Folha de S.Paulo, ouviu 2.506 pessoas em 152 municípios, entre 29 de setembro e 1º de outubro, com margem de erro de 2 pontos e 95% de confiança. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o código BR-08039/2026.
Quem apoia mais a ideia
O apoio é majoritário em todos os grupos sociodemográficos, com índice mais alto entre jovens de 16 a 24 anos, 73%. Não há diferença relevante entre homens (67%) e mulheres (69%).
Por intenção de voto, a aprovação é bem mais alta entre eleitores de Lula (PT), com 84%, do que entre os de Flávio Bolsonaro (PL), com 52%.
A oferta gratuita foi apresentada por Lula como promessa de campanha à reeleição. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, nega oportunismo eleitoral e diz que o plano é levar as canetas a "milhões" de pacientes, a um custo estimado de R$ 1,5 bilhão por ano.
O que ainda falta definir
O público que vai receber o remédio, a data de início e o custo médio por tratamento ainda não estão definidos pelo governo.
Em 24 de setembro, o Ministério da Saúde pediu à Conitec que elaborasse um protocolo de uso para pacientes com obesidade, grupo que corresponde a 25% da população. A comissão ainda vai propor critérios de elegibilidade, como grau de obesidade, diabetes e outras comorbidades.
A diferença entre o que o governo promete e o que a Conitec já avaliou tecnicamente é o que torna esta promessa mais cara de cumprir do que parece.
Isso porque a comissão já tinha rejeitado a entrada das canetas no SUS, em agosto de 2025, ao negar pedido da Novo Nordisk, fabricante de Ozempic e Wegovy.
Na ocasião, a Conitec calculou que a oferta custaria R$ 6,8 bilhões em cinco anos para atender algumas dezenas de milhares de pacientes, com gasto de mais de R$ 12 mil por paciente.
O que acontece agora
Enquanto o protocolo de uso não sai, a prefeituras e um projeto-piloto já testam a viabilidade econômica de oferecer o medicamento pela rede pública.
A Anvisa, por sua vez, investiga 13 casos de cegueira ligados ao uso das canetas emagrecedoras, o que pode pesar na definição dos critérios de uso pelo SUS.






























