Os presidenciáveis Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) assinaram nesta semana a Carta-Compromisso contra o Trabalho Escravo, da Conatrae, comprometendo-se, se eleitos, a combater o trabalho análogo à escravidão em todo o país.
O documento é vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos.
Flávio Bolsonaro (PL), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) foram convidados a aderir e não quiseram ou não responderam até o prazo, nesta segunda-feira (28). Procurados pela Folha, não comentaram.
A Conatrae (Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo) reúne desde 2003 organizações da sociedade civil e do Estado no combate ao trabalho escravo. Desde 2006, apresenta a carta a todos os candidatos ao Poder Executivo, nas esferas estadual, municipal e federal.
O que os candidatos se comprometem a fazer?
Quem assina a carta se compromete a não contratar nem promover empresas que usaram mão de obra escrava ou infantil, e a apoiar as que combatem esse crime. Também assume a responsabilidade de implantar atendimento jurídico e social a migrantes.
O documento também prevê apoio a políticas de atendimento aos trabalhadores resgatados, com ações de assistência social e psicológica, educação básica e profissionalizante e reintegração econômica.
Candidatos a governos estaduais também assinaram a carta, num movimento que tenta transformar o combate ao trabalho escravo em compromisso público de campanha.
Segundo a Conatrae, mais de 70 mil pessoas foram resgatadas no Brasil em trabalho análogo à escravidão desde 1995.
O último caso de repercussão no país envolveu duas idosas resgatadas em condição análoga à escravidão doméstica numa casa em Belo Horizonte, segundo o Ministério Público do Trabalho de Minas Gerais (MPT-MG).
As mulheres, de 90 e 65 anos, trabalhavam para a mesma família havia gerações, sem salário nem direitos trabalhistas. A de 90 anos estava na casa desde a adolescência, havia 75 anos.
O resgate ocorreu no fim de agosto, numa ação conjunta entre o MPT, a Polícia Federal e a Superintendência Regional do Trabalho de Minas Gerais, vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Não é um caso isolado: a TV Sim Brasil já noticiou a libertação de uma idosa após 50 anos de exploração em SP, num padrão que se repete em diferentes estados.
Caiado chega à assinatura da carta em plena reta final de campanha. Um levantamento mostrou que ele concentra 81% da agenda em São Paulo e Goiás.
Cury, por sua vez, segue em 3º lugar nas pesquisas e já ultrapassou Zema e Caiado em levantamentos recentes.
O que acontece agora
Os candidatos se encontram no debate presidencial desta quinta-feira (1º), quando podem ser questionados sobre o tema. A lista completa de assinaturas, incluindo candidatos aos governos estaduais, está disponível na página da Conatrae no Instagram.

















































