O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não vai ao último debate presidencial antes do primeiro turno, promovido pela TV Globo nesta quinta-feira (1º). No horário do debate, ele prefere dar uma entrevista em formato podcast, decisão que já preocupa aliados da campanha.

A emissora vai manter uma cadeira vazia no lugar que seria de Lula. Aliados da campanha petista temem que os adversários explorem a ausência ao longo de todo o programa, inclusive chamando-o de "fujão", sem que ele tenha chance de resposta.

Lula avalia que o modelo de debate no Brasil "caducou", porque não há tempo de se defender de ataques entre uma fala e outra. O cenário se agrava porque ele seria o único candidato de esquerda entre os confirmados, segundo a campanha.

"A gente tem um presidente que está em final de mandato, então ele precisa trazer um balanço, uma justificativa, ele precisa mostrar para as pessoas o que ele fez", disse Yuri Sanches, head de análise política da AtlasIntel.

Para Sanches, a ausência "abre um questionamento que é bastante importante, ela não é trivial" e representa "um erro estratégico na reta final da campanha do primeiro turno".

O que isso muda para Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro (PL) confirmou presença no debate mesmo depois de saber que Lula não iria, e pretende se apresentar como candidato de propostas sólidas e perfil moderado, mirando o eleitor indeciso. A campanha também o prepara para responder perguntas incômodas ao vivo.

Sanches lembra que, no primeiro debate do 1º turno, promovido pela Band, nem Lula nem Flávio compareceram, e a ausência dos dois acabou "catapultando" o candidato Augusto Cury (Avante), que se conectou com um eleitorado "estafado da polarização".

Agora, com Flávio presente e Lula ausente, a avaliação de Sanches é que o senador tem uma oportunidade de se apresentar e endereçar o que é visto como suas fraquezas, sem o maior adversário no palco para contestar.

O que acontece hoje à noite

O debate reúne, além de Flávio, os candidatos Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo).

Zema só entrou na disputa depois de decisão do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, que mandou a Globo considerar a bancada atual do seu partido.

A entrevista de Lula no Flow Podcast começa às 20h45, cerca de 45 minutos antes do início do debate, marcado para as 21h30, logo após o Jornal Nacional. A transmissão parte dos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, com mediação de César Tralli.

O ponto em aberto

O precedente citado pela AtlasIntel é o do primeiro debate da Band, quando a dupla ausência de Lula e Flávio abriu espaço para um terceiro nome crescer.

Desta vez, apenas Lula fica de fora, o que muda a aposta. Resta saber se o espaço vazio favorece quem está no palco ou repete, para o eleitor indeciso, o efeito que elegeu Cury como surpresa do primeiro encontro.