O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trocou, nesta quinta-feira (1º), o debate presidencial da Globo por uma entrevista ao Flow Podcast. O programa teve mais de 1,5 milhão de pessoas assistindo ao mesmo tempo pelo YouTube, por volta das 21h30.

O debate da Globo seria no mesmo horário, mas foi cancelado horas antes, depois de duas decisões judiciais mudarem as regras combinadas entre as campanhas. Lula já tinha avisado a emissora, na quarta-feira (30), que não participaria.

Ao apresentador Igor Coelho, Lula justificou a escolha dizendo que gosta "mais de você do que da Globo", antes de criticar o formato do debate e a presença de candidatos "com índices inexpressivos".

O que eu acho é que a coisa criou uma proporção tão grande que só tem uma saída, ser investigado. É deixar todo mundo nu.

disse Lula, voltando a cobrar investigação de ministros do STF ligados a Vorcaro.

Na entrevista, Lula disse que Flávio Bolsonaro tem relação próxima com Vorcaro, e que Huck usava o avião dele "para baratear as custas" do programa na Globo. Flávio nega ter viajado na aeronave, que diz pertencer a um amigo, o empresário Willer Tomaz.

Ronaldo Caiado (PSD), outro candidato à Presidência, atribuiu a Lula a responsabilidade pelo cancelamento do debate. "Lula provocou tudo isso. Ele foi o fator determinante de tudo isso", disse em coletiva.

O caso Banco Master, alvo das falas de Lula, envolve suspeita de fraude bilionária. O STF bloqueou R$ 5,7 bilhões em bens de Vorcaro, preso desde novembro de 2025. A TV Sim já explicou a origem da crise que abalou o STF.

O ponto em aberto

Com o debate cancelado e a entrevista ao Flow batendo 1,5 milhão de espectadores simultâneos, a campanha final de 2026 testa um formato novo: ataques diretos, fora do palco tradicional de TV, sem o mesmo tempo de resposta ao adversário citado.

Fica a pergunta se esse modelo se repete nas próximas eleições, ou se foi resposta pontual à disputa sobre as regras do debate desta quinta.