O diretor de futebol do Flamengo, José Boto, disse nesta quinta-feira (1º) que o clube pode ter que vender até três jogadores caso a medida provisória que proíbe as bets seja aprovada pelo Congresso. O Flamengo lidera a resistência do futebol à MP.

"No pior cenário, passa por termos que vender um jogador, ou dois ou três jogadores, e não conseguirmos repor com a mesma qualidade", disse Boto, em entrevista à CNN Brasil.

O dirigente reagia a uma fala anterior do presidente do clube, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, que já havia estimado perda de até R$ 3 bilhões com o fim das bets e citou a contratação de Lucas Paquetá como exemplo de compromisso em risco.

O meia Lucas Paquetá em campo com a camisa da seleção brasileira
Lucas Paquetá, citado pela diretoria do Flamengo como exemplo de contrato em risco com o fim das bets (foto de arquivo, pela seleção brasileira). Foto: Bryan Berlin/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

"Quando o presidente diz: ‘Como é que eu vou pagar o Paquetá?’, não é o Paquetá. São os acordos firmados, que foram firmados tendo em consideração que tínhamos contratos assinados, contratos legais assinados", explicou Boto.

O diretor comparou a situação do clube à de uma família que perde a renda: "Se de repente deixam de pagar o salário a vocês, vocês não vão poder pagar a casa de vocês, não vão poder pagar o carro".

O Flamengo tem contrato com a Betano que prevê até R$ 268,5 milhões por temporada, assinado em 2025. O acordo substituiu a parceria com a Pixbet, encerrada depois que a casa de apostas parou de honrar pagamentos ao clube.

Bap já havia dito que o clube pode perder mais de R$ 430 milhões, somando o patrocínio e outras receitas ligadas ao setor de apostas. Boto garantiu que o clube não vai atrasar salários de jogadores e funcionários mesmo no cenário mais pessimista.

O Flamengo não está sozinho: o fim das bets deve custar bilhões ao futebol brasileiro inteiro, que passou a depender do setor como principal fonte de patrocínio nos últimos anos.

O que acontece agora

A partir de 6 de outubro, os sites de apostas saem do ar; entre 9 e 14 de outubro, os bancos devolvem aos usuários os valores retidos nas plataformas.

No Congresso, deputados e senadores têm até janeiro para votar a MP, que já tem apoio amplo da população, segundo pesquisa recente. Sem aprovação, a proibição perde validade.