A disputa presidencial entrou nesta terça-feira (22) em uma nova guerra de associações: a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) tenta colar Lula (PT) ao ministro Alexandre de Moraes, enquanto o PT tenta devolver ao senador o desgaste do caso Banco Master.
Segundo o InfoMoney, a crise envolvendo o contrato de R$ 427 milhões ligado à chamada Turma do KN abriu uma disputa paralela. O objetivo das duas campanhas é definir qual imagem negativa chega ao eleitor nos últimos dias antes da votação.
A analista política Bárbara Baião, da XP, resumiu a lógica como uma tentativa de ampliar a rejeição do adversário em uma eleição polarizada. Não basta ganhar voto próprio; as campanhas também tentam elevar o custo de votar no rival.
"Se você votar no Flávio, Flávio é Bolsa Master", afirmou Bárbara, ao resumir a resposta buscada pelo Planalto.
O Metrópoles mostrou que Flávio manteve essa ofensiva em Natal, na segunda-feira (21). Em comício, o candidato voltou a associar Lula aos escândalos no Supremo Tribunal Federal (STF) ligados ao Banco Master.
Ele também disse que, se eleito, indicará cinco ministros para a Corte, contando com um impeachment de Moraes.
A fala ocorreu em ato com Álvaro Dias, Styvenson Valentim, Coronel Hélio e Rogério Marinho. Apoiadores gritaram contra Moraes e contra Lula. O caso deixou de ser só uma disputa jurídica e virou material de palanque.
Questionado pelo Metrópoles sobre o contrato de R$ 427 milhões da Turma do KN para destravar precatórios do Banco Master, Flávio disse não conhecer o assunto.
"Eu não sei se a história é essa, eu não tenho condição de falar do que eu não sei o que é, eu não sei do assunto", declarou.
O PT trabalha no sentido inverso. Segundo o InfoMoney, Lula tenta reconhecer a atuação institucional de Moraes após 8 de Janeiro e na defesa do sistema eleitoral, mas sustentar que eventuais relações do ministro com Daniel Vorcaro precisam ser apuradas.
A mesma análise registra que o Planalto sabe que a associação com Moraes é difícil de desmontar. Bárbara afirmou que a crise cai no colo do governo, ainda que o governo não esteja diretamente ligado às investigações.
O que mudou na campanha?
O que mudou na campanha é que o caso Master virou uma disputa por rejeição, não apenas por explicação. A Folha registrou movimento parecido em 15 de setembro, quando Flávio associou Lula a Moraes na propaganda eleitoral e evitou a relação com Daniel Vorcaro.
A TV Sim já mostrou que o caso Vorcaro passou por disputa no STF. Moraes também entrou no centro de outra frente, ao virar relator de ação sobre visitas ao Senado.
Esses capítulos ajudam a explicar por que os dois lados tentam escolher o enquadramento antes do eleitor.
O que acontece agora
O que acontece agora depende menos de uma nova denúncia e mais do calendário. A Associated Press informou que o STF adiou para depois da votação de outubro uma decisão sobre eventual investigação de Moraes, o que deixa a disputa eleitoral ocupar esse vazio.
Até lá, as campanhas devem tentar repetir os rótulos mais simples. Para Flávio, a linha é aproximar Lula de Moraes. Para Lula, a resposta é aproximar Flávio do Master, enquanto o processo judicial segue em aberto.


































