O presidente Lula disse nesta quinta-feira (17), em comício em Montes Claros (MG), que não quer ser comparado ao senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, e afirmou que ele "não é ninguém" perto do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
"Não quero ser comparado com o Flávio, porque ele não é ninguém", declarou, pedindo que o compararem ao pai do senador.
"Quero me comparar com o pai dele, que tentou dar um golpe no dia 8 de janeiro, que tramou a minha morte e a morte do Alckmin", disse Lula, citando também o ministro Alexandre de Moraes, que presidia o TSE em 2022.
Por que Lula ataca o pai e não o filho?
A escolha de mirar em Jair, e não em Flávio, é estratégia que cientistas políticos já apontavam à CNN antes do comício. Segundo eles, a campanha de Lula deve repetir indicadores como inflação, PIB e desemprego do governo anterior para desgastar o adversário.
Foi o que Lula fez ao citar a inflação de alimentos: 56% no governo Jair Bolsonaro, contra 13,6% na sua gestão. Também citou o filho, Lulinha, ligado ao "Careca do INSS", e disse que empresa de Flávio compartilha endereço com firmas do grupo.
Lula ainda citou o Banco Master, cujo controlador, Daniel Vorcaro, foi preso: "O que eu fiz? Acabei com o Banco Master e transformei o banqueiro deles em prisioneiro."
O que os números da disputa mostram agora?
A estratégia aparece num momento de dados eleitorais contraditórios para o presidente. Lula e Flávio empatam na rejeição eleitoral, com 47% cada um, enquanto a aprovação do governo subiu a 48% nesta semana.
Ao mesmo tempo, pesquisa AtlasIntel/Bloomberg colocou Flávio numericamente à frente de Lula no 2º turno, dentro da margem de erro. Um vazamento de áudio ligando Flávio a Vorcaro já havia dado a Lula vantagem de 7 pontos numa simulação anterior.
O ponto em aberto
Duas pesquisas do mesmo dia mostram cenários diferentes: uma de empate técnico, outra de vantagem clara para Flávio. Com o 1º turno em 4 de outubro, fica a pergunta se a estratégia resiste a novos números.


























