O bombeiro Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, 28, foi solto nesta quinta (1º) após audiência de custódia pela morte a tiros do estudante de medicina Bruno Hashimura San Juliano, 23, morto na quarta (30) em discussão de trânsito em Taubaté (SP).
Imagens de uma câmera de segurança mostram Bruno correndo por uma calçada, com a mão no peito, momentos depois de ser baleado. Ele foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.
O que diz a investigação
Segundo o delegado Bruno Tambosi, do 1º Distrito Policial de Taubaté, não há elementos até agora que sustentem a versão de legítima defesa. A apuração aponta que foi o próprio bombeiro quem quebrou o vidro do carro, antes de atirar.
A polícia apreendeu a pistola calibre .380 usada nos disparos e enviou a arma para perícia. Foram cinco tiros, segundo a investigação.
"No momento processual oportuno, a defesa se manifestará de forma técnica acerca das provas constantes dos autos", afirmou o advogado Claudio Rodrigues Moreira, que representa o bombeiro e sustenta a tese de legítima defesa.
Durante o interrogatório, Oliveira disse ter visto um objeto prateado nas mãos do estudante que pensou ser arma de fogo, e só teria percebido se tratar de uma faca depois de atirar. Nenhuma arma foi encontrada com a vítima, segundo a Folha.
Segundo o site Vale360News, Oliveira teve duas ocorrências de trânsito arquivadas, em 2019 e 2021, sem virar processo criminal — não são condenações. Em uma delas, ele teria mostrado uma arma de fogo durante discussão em um sinal de trânsito.
O caso reacende o debate sobre o uso de arma de fogo por agentes de segurança fora de serviço, em discussões de trânsito.
Casos parecidos não são raros: em Guarulhos, um PM matou o próprio sogro a tiros e também alegou legítima defesa, em caso que segue sob investigação.
Em São Paulo, um guarda civil metropolitano foi preso após atirar em um motoboy durante um desentendimento no trânsito.
Em outro caso, um júri absolveu dois PMs pela morte de um jovem já rendido, em Paraisópolis.
O que acontece agora
O inquérito segue em andamento no 1º Distrito Policial de Taubaté. A Justiça determinou que a Polícia Militar suspenda o porte de arma de Oliveira e o transfira para atividades administrativas enquanto o caso é apurado.
Em nota, o Corpo de Bombeiros disse que o militar está em licença sem vencimentos e não atuava na região do Vale do Paraíba.
"Reconhecemos a gravidade do ocorrido e a comoção causada pela perda de uma vida", afirmou o major Paulo Roberto Reis Teixeira de Souza, comandante do 11º Grupamento de Bombeiros.






























