O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou nesta quarta-feira (30) que não vai ao debate da TV Globo de quinta-feira (1º), o último do primeiro turno. No mesmo horário, ele concede entrevista ao Flow Podcast, repetindo a estratégia de 2022.

Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo) estão confirmados no debate. Zema entrou na lista depois de liminar do ministro Kássio Nunes Marques, do STF. Flávio já havia decidido ir mesmo sem a presença de Lula.

Por que trocar o debate por um podcast?

A resposta está na audiência. O primeiro debate deste ciclo, promovido pela Band em agosto, teve os pódios de Lula, Flávio e Zema vazios e registrou apenas 2,2 pontos.

Em 2022, o debate equivalente da Band tinha feito 13,1 pontos, uma queda de 83%.

O Flow, por outro lado, tem outro tipo de alcance: mais de 6 milhões de inscritos no YouTube. Quando Lula foi ao podcast em 2022, a entrevista rendeu a maior audiência da história do programa, superando 1 milhão de pessoas assistindo em uma hora.

Ir ao estúdio de TV já não é a única forma de disputar atenção numa campanha presidencial, e Lula aposta que o público que decide eleição hoje está mais perto do podcast do que do telejornal.

Edinho Silva, presidente do PT e coordenador da campanha petista, questionou o formato do debate à rádio TMC.

"Se for um modelo de debate onde o presidente Lula faz uma pergunta e fica meia hora esperando para fazer a segunda, evidente que esse confronto de ideias não vai acontecer", disse.

"Lula, eu quero você no debate da Globo. Vem debater comigo porque eu vou esfregar verdade na sua cara", desafiou Flávio Bolsonaro, em comício no domingo (27).

A ausência não é inédita no país, e o próprio Lula já havia calculado antes que faltar não é fatal. Fernando Henrique Cardoso venceu em 1994 e se reelegeu em 1998 faltando aos principais debates.

Jair Bolsonaro fez o mesmo em 2018 e também venceu, sem enfrentar os adversários diante das câmeras.

O ponto em aberto

A régua que decide se faltar a debate compensa é sempre a mesma: quantos votos se perde por não aparecer contra quantos se evita perder ao não virar alvo de todo o palco. Nos três precedentes citados, quem faltou não pagou esse preço nas urnas.

A pergunta que fica para depois do 1º turno, em 4 de outubro, é se o modelo de debate televisivo, pensado para uma época sem redes sociais, ainda consegue obrigar um favorito a aparecer.