Circula nas redes a alegação de que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, expulsou a delegação do Brasil da Assembleia-Geral da ONU durante seu discurso, em 24 de setembro. A informação é falsa, segundo checagens do UOL Confere e do Boatos.org.

A saída foi um protesto planejado, orientado pelo Itamaraty, e não uma ordem do premiê israelense.

A delegação brasileira foi uma das 77 delegações que deixaram o plenário quando Netanyahu começou a falar. Inicialmente só um diplomata estava escalado, mas quatro colegas se juntaram antes do discurso para reforçar o protesto.

Ao notar as saídas, Netanyahu fez a frase que viralizou fora de contexto.

Se há mais covardes morais que ainda não saíram desse salão, por favor, façam isso agora.

A frase não foi uma ordem de expulsão a quem já tinha saído, mas uma cobrança a quem ainda permanecia na sala.

Lula já tinha retornado ao Brasil quando Netanyahu discursou.

Dois dias antes, na mesma tribuna, Lula disse que "gerações de palestinos vão carregar a dor e o trauma deixados pelo genocídio" atribuído ao governo de Netanyahu em Gaza. Foi nesse discurso em que o presidente citou diretamente o premiê israelense.

O protesto foi descrito por observadores como um dos maiores walkouts já registrados num discurso da Assembleia. A delegação palestina ampliou a presença da mesma forma, de dois para seis representantes antes da fala de Netanyahu.

Do outro lado, Israel pediu credenciais extras para levar apoiadores à galeria de observadores, além dos seis assentos padrão reservados à delegação, para aplaudir o premiê durante o discurso.

A repercussão ao discurso de Netanyahu seguiu nos dias seguintes, quando o Irã comparou o premiê israelense a Voldemort na mesma tribuna.

A relação entre Brasil e a missão israelense na ONU já tinha esquentado antes, quando um vídeo da delegação de Israel usou uma arara para representar o Brasil.

O padrão que se repete

Segundo o Boatos.org, não é a primeira vez que uma narrativa de "expulsão" de Lula circula nas redes sem provas. Outro boato recente, sobre Nossa Senhora Aparecida, também ganhou força a poucos dias do primeiro turno das eleições de 2026.