O barril de petróleo Brent fechou em alta de 0,92% nesta quarta-feira (30), a US$ 103,53, sem avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra. O contrato acumula alta mensal de 14% em setembro, a maior desde julho.

Segundo a AFP, o Irã informou nesta quarta (30) que recebeu resposta formal de Washington à sua proposta para encerrar as hostilidades, sem detalhar o conteúdo. O WTI, referência americana, fechou em alta de 1,16%, a US$ 90,42.

Os números refletem um cabo de guerra entre dois sinais opostos. De um lado, o fato de EUA e Irã ainda se falarem evita um salto brusco nos preços; do outro, a falta de avanço real mantém o mercado em alerta para nova escalada.

"Foi confirmado que Estados Unidos e Irã estão se comunicando, ainda que por meio de mediadores, com o objetivo de pôr fim às hostilidades", disse David Morrison, analista da corretora britânica Trade Nation.

Entre as exigências iranianas está o que o Irã pede para encerrar a guerra: fim das hostilidades no Líbano, desbloqueio de ativos no exterior e fim do embargo ao setor petrolífero.

Trump rejeitou a proposta atual e disse, na segunda-feira (28), que não ofereceu nem a suspensão das sanções nem o descongelamento dos fundos iranianos.

"Os ataques recíprocos poderiam ser retomados a qualquer momento", avaliou Tamas Varga, analista da consultoria britânica PVM, sobre o risco de o impasse provocar nova onda de violência.

O que pressiona o preço da gasolina no Brasil?

A gasolina sente o petróleo pelo reajuste que a Petrobras faz às distribuidoras. Em 9 de setembro, a estatal retirou um desconto de R$ 0,44 por litro e somou R$ 0,19, elevando o preço médio de revenda a R$ 3,24.

No mesmo dia, o governo reduziu o PIS/Cofins em R$ 0,63 por litro, valor que compensou o repasse e evitou alta nas bombas, segundo o anúncio da própria Petrobras.

Mas o contrato para dezembro já opera perto de US$ 98, o que pode levar o Brent abaixo dos US$ 100 nesta quinta-feira (1º). Ainda em setembro, a Petrobras já havia registrado um recuo no reajuste da gasolina horas após anunciá-lo.

Foi um padrão parecido ao de março, quando o Brent também testava a casa dos US$ 100 durante a mesma guerra. Na ocasião, a Abicom estimava reajuste necessário de R$ 1,22 por litro nas refinarias para acompanhar a alta internacional.

E a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou:

O mundo está instável por causa da guerra, mas nossa política interna permanece sólida.

O que acontece agora

A Opep+ deve manter as metas de produção estáveis para novembro em reunião marcada para domingo (4), segundo fontes ouvidas pela Reuters. O Irã aguarda resposta de Washington sobre as sanções ao setor petrolífero, que os EUA já negaram suspender.

A Arábia Saudita retomou nesta terça-feira (29) o carregamento de petroleiros no porto de Yanbu, após reiniciar o oleoduto Leste-Oeste, alternativa ao Estreito de Ormuz. A rota havia sido afetada pelos ataques houthis que pressionaram o diesel no Brasil no início do mês.

A plataforma Kpler informa que mais petróleo está saindo do Oriente Médio, mas considera a situação no Estreito de Ormuz "longe da normalidade".

Três navios foram atacados na região na terça-feira (29), dias depois da ameaça iraniana de bloquear o Golfo, segundo a UKMTO.

O mercado repete a rotina: sobe com a tensão, cede com o alívio.