Daniel Vorcaro completa quase um ano preso sem fechar acordo de colaboração com a Justiça, enquanto o rombo do Banco Master segue sendo o maior da história do FGC, de R$ 51,8 bilhões. Nesta semana, ele negou à PF ter tentado fugir do país.

A Polícia Federal também encontrou mensagens que mostram o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto convidando Vorcaro para uma reunião em sua própria casa, ainda em 2023, quando presidia a autoridade monetária.

O que a reunião com Campos Neto revela

As mensagens mostram que Vorcaro buscava apresentar "o trabalho que estamos desenvolvendo no banco e nossas perspectivas" ao então presidente do Banco Central. O encontro, marcado para um condomínio de luxo em São Paulo, acabou remarcado para a sede do BC.

A reunião ocorreu dois anos antes da operação que prendeu Vorcaro e decretou a liquidação do conglomerado, em 18 de novembro de 2025. Não há, nas fontes consultadas, resposta pública de Campos Neto sobre o episódio.

"A Turma", grupo que a PF associa a Vorcaro, é acusado de intimidação e ameaças contra pessoas ligadas ao caso. Em depoimento de 1h40 nesta terça (30), Vorcaro negou a existência do esquema e disse que a PF sequer identificou vítimas.

Ele também negou ter tentado fugir do país. Quando foi preso em Guarulhos, em novembro, se preparava para embarcar rumo a Malta, mas a defesa argumenta que ele tinha reservas de hotel e sala de reunião feitas com antecedência, e o plano de voo registrado.

Por que o caso não tem desfecho

Vorcaro assinou termo de confidencialidade com a PGR em março, mirando um acordo de colaboração premiada. Em maio, porém, voltou à carceragem comum "sem direito a qualquer regalia", sinal de que as tratativas não avançaram.

O tamanho do rombo mostra que o problema cresceu por anos antes de aparecer nos relatórios que deveriam detectá-lo.

O estrago não teve relação com o tamanho do banco, que era pequeno frente ao sistema financeiro. Master, Will Bank e Banco Pleno somados representavam só 0,57% dos ativos de todo o sistema quando quebraram.

O patrimônio líquido do Master havia saltado de R$ 200 milhões para R$ 4,7 bilhões entre 2019 e 2024, e a carteira de crédito multiplicou quase 30 vezes no mesmo período, para R$ 40 bilhões.

O ponto em aberto

A reunião de 2023 expõe uma pergunta que o caso ainda não respondeu. Qual foi o grau de proximidade entre reguladores e o banco que acabou protagonizando o maior rombo da história do FGC?

Campos Neto não é investigado nem réu neste episódio, e não há, até agora, explicação pública sua sobre o encontro.