O petróleo disparou no início do pregão asiático desta segunda-feira (28), horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitar a proposta do Irã para reabrir o Estreito de Ormuz. O Brent subiu 1,74%, a US$ 106,14 o barril.

Os futuros do S&P 500 recuaram cerca de 0,2% nas primeiras negociações asiáticas. Segundo o portal Metrópoles, Trump classificou a proposta iraniana como "inaceitável" e disse que os Estados Unidos estão "ganhando" o conflito com o Irã, iniciado em fevereiro.

O Axios informou que o próprio presidente espera retomar as negociações com Teerã ainda esta semana, apesar da rejeição. O Irã, por sua vez, manteve a proposta de reabrir o Estreito de Ormuz em até sete dias e afirmou que não vai suavizar suas condições.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, cravou as condições do país em declaração à Agência Brasil.

Nossas condições são claras, e qualquer medida para reabrir o Estreito de Ormuz depende do cumprimento dessas condições, afirmou Araqchi.

O impasse eleva a pressão inflacionária no mercado global. O rendimento médio de um indicador de títulos públicos mundiais ultrapassou 4% ao ano pela primeira vez desde 2007, segundo o InfoMoney.

"Os desdobramentos geopolíticos do fim de semana provavelmente manterão a volatilidade elevada nos mercados globais", escreveu Nick Twidale, analista-chefe de mercado da AT Global Markets, em nota a clientes.

A presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, afirmou que o crescimento resiliente e o mercado de trabalho aquecido, somados à preocupação com a dívida americana, ajudam a elevar o rendimento dos títulos do Tesouro de longo prazo.

Os investidores já precificam mais uma alta de 0,25 ponto percentual nos juros dos Estados Unidos neste ano. O dólar teve leve alta frente às principais moedas nesta segunda.

O que muda no bolso do brasileiro

A escalada eleva o preço internacional do petróleo e pressiona a Petrobras a reajustar combustíveis no Brasil. As ações da estatal já subiram quase 4% na Bolsa em pregões recentes, embaladas pela disparada do Brent e pela tensão entre Estados Unidos e Irã.

Não é a primeira vez que o conflito no Irã mexe direto com o Brasil.

Os preços do petróleo já tinham subido em julho, após ataques e novas sanções dos Estados Unidos contra Teerã, o que levou a Petrobras a mexer no preço da gasolina mais de uma vez.

Em maio, a disrupção no fornecimento colocou o Brasil como quarto maior exportador de petróleo para a Índia, e o país tem sido um dos que aproveita a demanda represada por fornecedores do Oriente Médio.

O que acontece agora

Trump diz que as negociações entre Washington e Teerã podem ser retomadas ainda esta semana, sem sinalizar concessões. O mercado agora observa dois indicadores que saem nos próximos dias: o índice de inflação preferido do Fed e o relatório de emprego dos Estados Unidos.

Ambos devem pesar na decisão do banco central americano sobre uma nova alta de juros neste ano. Uma disputa diplomática no Oriente Médio virou, assim, fator direto no preço da gasolina e no custo do crédito no Brasil.