Um estudo da Scripps Institution of Oceanography, da Universidade da Califórnia em San Diego, mostra que o aquecimento global muda a circulação do Oceano Pacífico e altera a idade da água: parte fica mais velha e perde oxigênio, parte fica mais jovem.
A pesquisa, publicada em 19 de setembro na revista científica AGU Advances, foi assinada por Benjamin Taylor, Yassir Eddebbar, Yohei Takano, Lynne Talley e Shang-Ping Xie, professor da cátedra Roger Revelle na Scripps.
O que é a idade da água do oceano?
A idade da água não é o tempo de existência das moléculas, mas quanto tempo aquela massa ficou sem contato com a atmosfera. Esse contato é o que permite à água absorver oxigênio antes de afundar.
Água "jovem" esteve recentemente perto da superfície e carrega oxigênio para as profundezas. Água "velha" ficou isolada da atmosfera por mais tempo, e organismos marinhos consomem parte do oxigênio dissolvido nesse período.
Por que o efeito é oposto em cada região?
Nas regiões subtropicais, hoje bem ventiladas, o aquecimento reduz a troca com águas profundas e deixa a água mais velha e com menos oxigênio. Nas tropicais, já mal ventiladas, o efeito inverte: elas ficam relativamente mais jovens.
O estudo analisou principalmente a termoclina do Oceano Pacífico, camada entre 200 e 1.000 metros de profundidade, onde o contraste aparece de forma mais forte.
O aquecimento da superfície, somado ao efeito remoto do Oceano Austral, desacelera as correntes verticais e comprime a circulação numa camada mais rasa.
A projeção dos pesquisadores olha para um horizonte de cerca de 150 anos. Partes do giro subtropical podem ficar severamente depletadas de oxigênio, o que pode afetar espécies marinhas que dependem de condições específicas do gás.
O achado reforça que o aquecimento não empobrece o oceano de forma uniforme — ele redistribui o oxigênio, criando vencedores e perdedores dentro do mesmo mar.
O que acontece agora
Os autores não detalham um percentual exato de perda de oxigênio nem o impacto direto na pesca comercial. O trabalho deve orientar novos modelos sobre como a vida marinha vai se redistribuir, tema que já preocupa organismos internacionais ligados à crise dos oceanos.






























