O presidente americano Donald Trump rejeitou neste sábado (26) uma proposta do Irã para reabrir o Estreito de Hormuz em uma semana. Horas depois, explosões atingiram a região, e o petróleo Brent subiu 2,65% nesta segunda (28), a US$ 106,96 o barril.
A proposta iraniana foi apresentada por mediadores do Catar à margem da Assembleia Geral da ONU.
Ela previa sete condições para reabrir o Estreito, entre elas a suspensão do bloqueio naval dos Estados Unidos, a liberação de fundos iranianos congelados e o fim dos ataques em todas as frentes.
Trump rejeitou a oferta.
O chanceler iraniano Araghchi afirmou que o país permaneceria "firme nas condições", segundo a Al Jazeera.
Horas depois da recusa, foram relatadas explosões no Estreito de Hormuz, perto da Ilha de Qeshm, no sul do Irã. Relatos apontam disparo de mísseis antinavio e drones contra embarcações que tentavam cruzar a região contra a vontade de Teerã.
As autoridades iranianas não confirmaram ataques naquele dia. Uma semana antes, um navio de carga indiano havia sido atacado no Estreito, com a morte de um marinheiro.
Um analista da King's College London previu ciclos de atrito controlado, com ataques contínuos a navios-tanque seguidos de respostas limitadas dos Estados Unidos. Pelo Estreito passam, em média, 13 milhões de barris de petróleo por dia, segundo o secretário de Energia dos EUA.
O petróleo Brent, referência internacional, subiu para US$ 106,96 o barril nesta segunda-feira (28), avanço de 2,65%. O mercado segue volátil, com sinais mistos sobre as perspectivas de paz e especulação de que os Estados Unidos poderiam restringir a exportação de diesel.
No Brasil, a Petrobras usa o preço internacional do petróleo e o câmbio como referência para reajustar a gasolina e o diesel nas refinarias. Altas prolongadas do petróleo pressionam esses preços para cima.
O petróleo já havia disparado 3% depois que Trump e o Irã trocaram ameaças na ONU, na semana passada.
O que acontece agora
O Irã mantém as sete condições da proposta rejeitada, e os Estados Unidos não sinalizaram nova rodada de negociação. Analistas preveem que os ataques a navios-tanque continuem, intercalados com respostas americanas limitadas.
No Brasil, o efeito nas bombas já apareceu antes: em setembro, a Petrobras reajustou a gasolina, mas um corte de imposto anulou a alta para o consumidor.
A escalada renova o alerta sobre a exposição do país à crise: em agosto, o governo americano já havia sido apontado como uma fonte de pressão econômica contra o Irã que deixa o Brasil exposto.





































