Cerca de 60 navios comerciais cruzaram o Estreito de Ormuz nesta quarta-feira (23), o maior volume diário de petróleo bruto desde julho, segundo autoridade dos Estados Unidos ouvida pela Reuters sob anonimato. Cerca de 40 embarcações tiveram escolta das Forças Armadas americanas.

A Reuters não confirmou os números de forma independente. Quase 22 milhões de barris de petróleo deixaram o estreito no mesmo dia, o maior volume desde o início de julho.

Antes da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro, o estreito recebia cerca de 125 grandes navios por dia. Juntos, respondiam por 20% do abastecimento diário mundial de petróleo bruto e gás natural liquefeito.

A Reuters informou nesta quinta-feira (24) que negociadores dos Estados Unidos e do Irã avaliam em Nova York um caminho para encerrar a guerra. A proposta prevê a reabertura do estreito por Teerã em troca do fim do bloqueio econômico americano.

Na Organização das Nações Unidas, cerca de 80 países pediram nesta quinta a reabertura urgente do estreito.

A declaração condenou o Irã e os aliados houthis pela perturbação do comércio internacional, e foi lida pelo ministro das Relações Exteriores do Barein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani.

As ações do Irã no Estreito de Ormuz continuam a ameaçar a segurança internacional e os direitos e liberdades de navegação.

A declaração também condena a decisão dos houthis de retomar o conflito no Iêmen e os ataques à Arábia Saudita. O avanço do grupo rumo ao Bab el-Mandeb aumentaria os riscos para a navegação. Irã e houthis apresentam suas ações como defensivas.

O que muda no bolso do brasileiro

A pressão sobre o Estreito de Ormuz ajuda a manter o petróleo Brent acima de US$ 110 o barril, com picos de US$ 126 em 2026, segundo o portal especializado ClickPetróleoeGás, reflexo direto da guerra no Golfo Pérsico.

A alta chegou ao posto. O preço da gasolina no Brasil rondou R$ 6,77 em 2026, com o diesel também pressionado, segundo o BusinessMoment.

O reflexo mostra que a guerra no Golfo Pérsico, mesmo sem fechar o estreito por completo, já pesa no posto de combustível brasileiro. O histórico da crise já levou a Petrobras a mexer no preço da gasolina outras vezes neste ano.

O que acontece agora

Os negociadores avaliam em Nova York um caminho gradual para encerrar a guerra, sem data definida para o acordo. O plano prevê que o Irã reabra o estreito enquanto os Estados Unidos suspendem o bloqueio econômico ao país, em etapas.

O volume desta quarta-feira foi o maior em quase três meses.

O fluxo pelo estreito vem em recuperação desde o início do ano, mesmo com a guerra ainda sem previsão de fim.