A Rússia ameaçou a OTAN nesta semana com o uso de armas nucleares caso a aliança tente isolar Kaliningrado, exclave russo cercado por Polônia e Lituânia. O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, chamou a ameaça de "absolutamente inaceitável", em resposta à nota do Kremlin.

A ameaça foi feita em nota diplomática enviada a Rutte nesta quarta-feira (30), segundo a Reuters. Nela, a Rússia acusa a OTAN de adotar postura "perigosa e irresponsável" e cita a possibilidade de atacar centros de decisão dos 32 países-membros da aliança.

Por que Kaliningrado é um ponto tão sensível

Kaliningrado é um exclave russo às margens do Mar Báltico, separado do restante do território russo por cerca de 800 quilômetros e cercado por países da OTAN. Tem 15,1 mil km² e cerca de 1 milhão de habitantes.

A região foi fundada em 1255 como Königsberg, cidade alemã, e passou ao controle soviético em 1945, após a derrota nazista na Segunda Guerra Mundial, pelo Acordo de Potsdam. Foi renomeada Kaliningrado em 1946, em homenagem a um líder bolchevique.

Hoje, Kaliningrado abriga a sede da Frota do Báltico da Rússia, que tinha 52 navios de guerra em 2022, e uma brigada de mísseis Iskander-M com capacidade nuclear, instalada de forma permanente desde 2018.

Os mísseis Iskander têm alcance de até 1.000 km e, teoricamente, poderiam atingir Berlim em cerca de 5 minutos, segundo analistas militares.

O corredor que pode isolar os bálticos

Entre a Polônia e a Lituânia corre o chamado Corredor de Suwałki, uma faixa de pouco mais de 90 quilômetros que separa Kaliningrado da Belarus, aliada da Rússia. É apontado por analistas como o "calcanhar de Aquiles" da OTAN.

Em caso de conflito, quem controlar essa faixa de terra decide se a OTAN consegue reforçar os países bálticos por via terrestre ou se eles ficam isolados do resto da aliança.

A Rússia alega que a OTAN vem concentrando aeronaves perto de Kaliningrado e realizando exercícios com cenários antirrussos na Polônia, na Lituânia e no Mar Báltico, e afirma que a aliança prepara um bloqueio aéreo e naval da região.

A OTAN nega. Para a aliança, não há nenhuma ação planejada contra Kaliningrado, e nenhum de seus exercícios representa risco para qualquer parte do território russo.

As duas versões não podem ser checadas de forma independente, e é a palavra da Rússia contra a da OTAN.

O episódio ocorre dias depois de a OTAN escolher um general alemão para o comando militar da aliança, e enquanto o presidente francês Emmanuel Macron alerta que a Rússia escala uma "guerra híbrida" contra a Europa.

O ponto em aberto

Nenhuma fonte independente confirmou se a OTAN prepara alguma ação contra Kaliningrado. A região segue sendo o ponto com maior potencial de um incidente mal calculado escalar para confronto direto entre Rússia e a aliança.