As bolsas da Ásia fecharam majoritariamente em baixa nesta segunda-feira (28), depois que o presidente Donald Trump rejeitou proposta do Irã para reabrir o Estreito de Ormuz. O Brent subiu quase 3% e passou dos US$ 100 o barril na madrugada.

O índice Kospi, de Seul, recuou 2,70%, a 6.889,74 pontos, no retorno de feriados na Coreia do Sul. Em Tóquio, o Nikkei caiu 0,73%, a 65.877,62 pontos.

Na China continental, o Xangai Composto cedeu 1,67%, a 3.823,62 pontos, e o Shenzhen Composto teve queda mais forte, de 3,07%, a 2.400,14 pontos, ambos também na volta de feriado.

O Hang Seng, de Hong Kong, foi na contramão e avançou 0,54%, a 24.642,51 pontos, interrompendo três pregões seguidos no vermelho. Taiwan ficou fechado por feriado, e a bolsa australiana terminou em alta modesta de 0,17%, a 8.679,70 pontos.

As ações chinesas atingiram a mínima em um ano.

Os rendimentos de títulos soberanos de prazos mais curtos do Japão e da Coreia do Sul alcançaram as maiores marcas em anos, segundo a Bloomberg.

Um acordo de alívio tarifário entre EUA e China ficou em segundo plano diante da tensão no Oriente Médio. O entendimento, de US$ 30 bilhões em importações de cada lado, foi fechado após o encontro entre Xi Jinping e Trump em Washington, na semana passada.

Por que Trump rejeitou a proposta do Irã?

Trump rejeitou porque considera que o Irã está perdendo a disputa e busca o acordo pelo dinheiro que o Estreito de Ormuz movimenta. O Irã havia levado a proposta à ONU em 26 de setembro.

Rejeito a proposta deles. Rejeitei o acordo deles. Estamos vencendo de forma esmagadora.

Segundo a Agência Brasil, Trump disse que o Irã busca o acordo porque "estão perdendo feio". Ele citou reportagem do Wall Street Journal segundo a qual uma nova campanha de bombardeios seria provável depois das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, em novembro.

O que muda no bolso do brasileiro?

A Petrobras não repassa automaticamente as oscilações internacionais ao consumidor. A estatal monitora diariamente as cotações do petróleo, o câmbio e outras variáveis antes de decidir um reajuste. A pressão sobe junto com o Brent, que fechou a US$ 106,60 na quinta (24).

Em setembro, a companhia já tinha mostrado essa cautela ao reajustar a gasolina sem repassar toda a alta ao consumidor.

Nos cinco polos da estatal, a gasolina importada sai em média 42% acima do preço da Petrobras, R$ 1,25 a mais por litro, segundo tabela da Abicom de 24 de setembro.

A pressão se soma à que os ataques houthis às instalações sauditas já colocavam sobre o diesel no país nesta semana. Segundo a Exame, a pressão sobre os preços domésticos tende a aumentar se o petróleo continuar elevado por mais tempo.

O que acontece agora

O mercado internacional segue de olho em qualquer nova declaração de Trump ou do Irã sobre o Estreito de Ormuz. É a segunda vez em dois dias que uma fala do presidente americano sobre o Irã faz o petróleo disparar.