O bilionário Elon Musk vai voltar a assessorar oficialmente o governo dos Estados Unidos, como copresidente de um painel do Pentágono sobre o futuro da guerra, batizado de Projeto Meridian. O anúncio veio de Pete Hegseth, secretário de Defesa, em discurso na base de Quantico.

Estamos aproveitando uma fonte única de vantagem americana, uma que nossos adversários não têm: nossos inovadores, nossas grandes lideranças e nossos tecnólogos.

Musk vai copresidir o painel ao lado de Palmer Luckey, cofundador da empresa de defesa Anduril, e do ex-presidente da Câmara dos Representantes Newt Gingrich, de 83 anos. O grupo tem 120 dias para apresentar as primeiras conclusões.

Por que Musk estava fora do governo

Musk comandou o Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) nos primeiros meses do governo Trump, mas saiu em 30 de maio de 2025, um dia depois de criticar publicamente o projeto de lei de gastos do presidente.

Segundo uma fonte, ele não teve conversa formal com Trump antes de anunciar a saída. A decisão foi tomada "em nível sênior da equipe". Depois do rompimento, Musk retomou doações bilionárias a candidatos e causas conservadoras.

O que preocupa os críticos

Especialistas ouvidos pela TechCrunch apontam um conflito de interesse: ao pedir a Musk e Luckey que indiquem "soluções acionáveis", o Pentágono os coloca ao mesmo tempo como conselheiros e fornecedores, já que as recomendações podem favorecer produtos das próprias empresas deles.

A SpaceX, de Musk, já soma contratos bilionários com o governo americano, incluindo mais de US$ 8 bilhões ligados ao programa de defesa antimísseis Golden Dome. O memorando que criou o Projeto Meridian não traz regra contra esse tipo de conflito.

O Projeto Meridian é uma de seis iniciativas anunciadas por Hegseth no mesmo discurso, que incluiu também o novo comando militar dos EUA dedicado a inteligência artificial e armas autônomas.

Musk, que neste ano se tornou o primeiro trilionário do mundo, soma agora a esse currículo um posto formal dentro do planejamento militar americano.

O ponto em aberto

O prazo de 120 dias definido por Hegseth deve mostrar se o Projeto Meridian vira política de compras militares ou fica só no papel.

Falta ainda uma regra clara sobre como o Pentágono vai separar as recomendações do painel dos interesses comerciais das próprias empresas de seus integrantes, questão que o memorando de criação do grupo, até agora, não responde.