O petróleo Brent subiu 4% nesta segunda-feira (28/9), a US$ 108 o barril, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou no sábado (26/9) uma proposta do Irã para retomar as exportações pelo Golfo Pérsico. A alta pressiona os combustíveis no Brasil.

A proposta iraniana foi apresentada durante a Assembleia Geral da ONU, na semana passada, para normalizar as exportações de petróleo pela região. A Petrobras usa o Brent como referência para a gasolina e o diesel no Brasil.

Segundo a Forbes, a rejeição de Trump reacendeu os temores de inflação global. No pré-mercado americano desta segunda, o Nasdaq caía cerca de 1% e o S&P 500 recuava 0,5%, enquanto os juros dos títulos do Tesouro de 10 anos subiam a 5,209% ao ano.

O barril chegou à maior cotação em semanas.

Quanto a gasolina importada já custa mais que a da Petrobras?

A gasolina importada custa, em média, 42% mais do que a vendida pela Petrobras nos cinco polos da estatal, segundo a Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), e a diferença cresce nos últimos dias.

A diferença média é de R$ 1,25 por litro, e subiu de R$ 0,77 para R$ 1,13 em apenas nove dias.

No diesel, a defasagem é ainda maior. Em Paulínia, a Petrobras cobra R$ 3,33 por litro, contra R$ 6,65 do diesel importado, quase o dobro. Na média dos seis polos da companhia, a diferença chega a 89%.

Em comunicado de 16 de setembro, a Petrobras informou que sua estratégia é evitar o repasse imediato aos preços internos da volatilidade do petróleo.

É essa defasagem entre o preço interno e o importado que o mercado observa para calcular quando a estatal deve reajustar de novo.

O Brent subiu de forma constante nos últimos dias. Estava em US$ 99 na terça-feira (22/9), passou de US$ 100 na quarta (23/9) e fechou a US$ 106,60 na quinta (24/9), alta de 3,41% só naquele pregão.

É o mesmo conflito que já havia levado o Brent a subir 24% em julho e pressionar o diesel no Brasil. Na ocasião, a alta também veio da tensão em torno do Estreito de Ormuz.

Dois descontos federais amenizam o impacto no diesel. Juntas, a Medida Provisória 1.363 e a MP 1.391 somam R$ 2,12 por litro de desconto. Parte desse alívio, de R$ 1,12 por litro, venceu no sábado (26/9).

O PIS/Cofins da gasolina também está reduzido, em R$ 0,63 por litro, mas só até 9 de outubro.

A gasolina, aliás, já teve um reajuste anunciado e revertido em poucas horas neste mês. A Petrobras recuou de um aumento no início de setembro depois da reação do mercado à mudança.

O Brasil também sente o mesmo aperto pelo lado das importações. As janelas de importação de diesel estão fechadas há 254 dias, e as de gasolina, há 211 dias.

Isso significa que o país abastece boa parte da frota com combustível trazido de fora. O diesel dos Estados Unidos já responde por 80% do que o Brasil importa.

O que acontece agora

Nos próximos dias, o mercado acompanha dados que podem mexer ainda mais no preço do petróleo. Na quarta-feira (30/9) sai o índice de inflação PCE dos Estados Unidos, com núcleo projetado em 3,4%, e na sexta (2/10) vem o relatório de empregos americano.

Enquanto isso, quem abastece no Brasil segue sem reajuste anunciado pela Petrobras até a publicação desta matéria. Para entender por que o reajuste no atacado nem sempre chega no mesmo dia à bomba, a TV Sim Brasil já explicou o mecanismo em setembro.