O conflito entre Estados Unidos e Irã completa oito meses nesta quinta-feira (1º) sem sinal de acordo, e o petróleo Brent subiu 2% nesta manhã, perto dos US$ 100 o barril. Analistas da Fortune não veem acordo de paz antes de novembro.

Pelo Estreito de Ormuz passam, em condições normais, 20% do petróleo negociado no mundo. Com a guerra, esse fluxo caiu de 19 milhões para 13 milhões de barris por dia, hoje escoltados por navios dos Estados Unidos.

O frete de um petroleiro saiu de US$ 50 mil para US$ 1 milhão por dia desde fevereiro.

Os números refletem o desgaste de um impasse que se repete, não um ataque novo. "Parece o filme Feitiço do Tempo", disse à Fortune Matt Reed, presidente da consultoria Foreign Reports.

Isso também pode significar que estamos sendo levados a uma falsa sensação de segurança, quando a situação ainda pode se deteriorar. Acho que este é um momento muito perigoso.

Reed afirma que o Irã está perdendo influência, com a economia enfraquecida e as exportações de petróleo em queda. Isso deixa ao país pouca margem além de manter o impasse ou atacar de novo.

Para conter o preço do barril, o governo de Donald Trump liberou mais 40 milhões de barris da Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA em 29 de setembro. A reserva está hoje no menor nível em 44 anos.

O que muda no bolso do consumidor brasileiro?

No Brasil, quem sente o efeito primeiro é a Petrobras. A estatal abandonou, em 2023, a paridade com o preço internacional e hoje tem mais espaço para não repassar todo o aumento aos combustíveis vendidos aqui.

A Abicom, entidade dos importadores de combustíveis, calcula defasagem de 85% no diesel e 49% na gasolina frente ao preço internacional. A entidade estima perda de até US$ 300 milhões à Petrobras a cada alta sustentada de US$ 10 no barril.

Quem segura essa conta, por ora, é a própria Petrobras, não ainda o consumidor na bomba.

A partir de 9 de outubro, termina a medida provisória que dava desconto na gasolina para distribuidoras, o que elevaria o preço em R$ 0,63 por litro.

A Petrobras já recuou de reajustes de combustível em outras ocasiões neste ano e afirma que uma redução equivalente de impostos federais deve neutralizar o efeito nas bombas.

O que acontece agora

A avaliação da Casa Branca é que vale mais manter o status quo até depois de 3 de novembro. Uma escalada agora jogaria ainda mais para cima os preços de combustíveis nos Estados Unidos.

Do lado iraniano, a divisão entre autoridades civis e a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) aumenta a chance de um novo incidente nas próximas semanas.

"Os midterms são uma linha divisória. Só não está claro para mim se algo vai acontecer antes ou depois", disse Dan Pickering, fundador da consultoria Pickering Energy Partners.

Marshall Adkins, chefe de pesquisa de energia da Raymond James, reforça que o Irã "ainda tem capacidade para destruir muita coisa que passa por ali", mesmo enfraquecido. A Casa Branca já sinalizou que pode retomar bombardeios ao Irã após a eleição nos EUA.

O episódio soma-se às ameaças do Irã de bloquear o petróleo de toda a região do Golfo.

O Brent em alta já vinha pressionando a gasolina no Brasil nos últimos dias.