Ataques dos houthis e de outros grupos apoiados pelo Irã ameaçam rotas de petróleo da Arábia Saudita e já elevaram o barril a até US$ 109. No Brasil, o diesel importado ficou mais caro, com defasagem recorde de R$ 3,89 por litro na Petrobras.
Os houthis assumiram nas últimas semanas o controle efetivo do Estreito de Bab al-Mandeb, via de entrada do Mar Vermelho por onde a Arábia Saudita passou a escoar parte de suas exportações. Eles declararam bloqueio à navegação saudita na região.
Milícias iraquianas apoiadas pelo Irã também atingiram o oleoduto saudita Leste-Oeste. As exportações pelo porto de Yanbu foram interrompidas.
O aperto se soma ao fechamento parcial do Estreito de Ormuz, principal rota saudita, provocado pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro deste ano.
A combinação das duas rotas sob ameaça é o que os analistas classificam como uma mudança estrutural, não apenas um pico passageiro de preço.
O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, pediu pessoalmente a intervenção militar dos Estados Unidos contra os houthis. O pedido foi recusado, segundo fonte da CNN familiarizada com o assunto.
"Os houthis nos ligaram e não querem lutar conosco. É apenas um país com o qual eles não estão muito satisfeitos", disse o presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a recusa.
O especialista Neil Quilliam, do think tank Chatham House, diz que o efeito vai além da cotação do dia. "Isso não é necessariamente sobre o preço do petróleo hoje, se está a US$ 100 ou se sobe para US$ 109 o barril", disse à CNN.
"O que aconteceu em Ormuz, por exemplo, é estrutural. Não há como voltar à situação anterior a 28 de fevereiro", completou Quilliam.
Um ex-oficial do Golfo, sob anonimato, discordou da posição americana: "É absolutamente um erro não apoiar militarmente a Arábia Saudita contra os houthis".
O que muda no preço do diesel no Brasil
O diesel fica mais caro no Brasil porque cerca de 30% do combustível vem de importação, e essa parcela segue o preço internacional, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). O Brent fechou a US$ 108, alta de US$ 3,07 no dia.
O patamar é parecido ao que já pressionou o diesel importado dos EUA nas últimas semanas. Com a defasagem recorde, importadores privados postergaram compras em setembro, e a Abicom prevê contração maior em outubro.
"A demanda de outubro normalmente é maior do que a demanda de setembro, e as refinarias no Brasil não vão produzir mais em outubro do que produziram em setembro", disse Sérgio Araújo, presidente da Abicom.
"Porque elas já estão operando perto do limite máximo", completou.
O mesmo alerta já havia aparecido quando o petróleo disparou 3% após Trump e Irã trocarem ameaças na ONU, episódio anterior da mesma tensão.
O que acontece agora
A Abicom associa o cenário a risco de desabastecimento localizado, sobretudo em regiões mais dependentes de diesel importado, caso a defasagem continue alta em outubro.
No Oriente Médio, o bloqueio saudita segue sem solução militar ou diplomática anunciada, e Washington mantém a recusa em intervir diretamente contra os houthis.

































