O Banco do Japão divulgou nesta quinta-feira (1º) o resumo da reunião de setembro, no qual parte da diretoria defendeu acelerar a alta dos juros, hoje em 1,25% ao ano. O governo pediu cautela, e o iene caiu com a notícia.
Segundo o documento, várias autoridades do BoJ consideraram necessário aproximar a taxa de juros da meta mais rapidamente. O argumento foi o risco de a inflação ultrapassar o objetivo de 2% do banco central.
Na reunião de setembro, o colegiado já havia elevado a taxa para 1,25% ao ano, o maior nível em 31 anos.
O Banco deve continuar a agir de maneira oportuna, sem se tornar excessivamente cauteloso ao elevar os juros, dados os significativos riscos de alta nos preços.
Essa foi a avaliação de um dos membros no resumo. Outro integrante do colegiado defendeu que o BoJ aproxime a taxa da meta relativamente em breve, para ter margem de manobra diante de imprevistos na economia.
O governo japonês discordou do ritmo. Um representante pediu ao banco central que agisse com cautela em novas altas, segundo o mesmo resumo.
Uma pesquisa trimestral divulgada na mesma quinta-feira mostrou poucos sinais de que as expectativas de inflação estejam se intensificando o suficiente para justificar um aumento já em outubro. Isso esfriou ainda mais as apostas dos investidores.
O que muda para quem investe no Brasil?
Para quem investe no Brasil, muda o custo do carry trade, operação em que investidores tomam ienes emprestados a juros baixos para aplicar aqui, onde a Selic está em 13,75% ao ano, mais de dez vezes a taxa japonesa.
Quando o BoJ sinaliza aperto, fundos globais tendem a desmontar essa estratégia. Vendem reais para recomprar ienes, movimento que pressiona o câmbio e pode esvaziar o fluxo estrangeiro que sustenta o Ibovespa.
Foi o que já aconteceu em 18 de setembro, quando o Japão subiu os juros ao maior nível em 31 anos.
No mesmo dia, o dólar fechou a R$ 5,14 e o Ibovespa caiu 0,41%, em sessão marcada por decisões opostas do Fed e do BoJ.
O mecanismo é o mesmo que já levou analistas a tratar o fim do dinheiro barato japonês como risco permanente para emergentes. O desmonte do carry trade tende a fortalecer o iene frente a moedas como o real.
O que acontece agora
O BoJ volta a decidir sobre juros em outubro ou dezembro, as próximas reuniões do colegiado. Analistas já projetam novo aumento em uma dessas datas, na esteira do sinal dado por Ueda de combate à inflação.
O banco central japonês segue perto do limite inferior da faixa que considera neutra para a economia, entre 1,1% e 2,5%.
É esse espaço apertado que explica por que o BoJ enfrenta mais pressão para subir juros do que outros bancos centrais do mundo neste momento.






























