Negociadores dos Estados Unidos e do Irã discutem, em Nova York, um acordo em etapas para encerrar quase sete meses de guerra. Pela proposta, o Irã reabriria o Estreito de Ormuz e os EUA suspenderiam o bloqueio econômico ao país.

Nenhum dos dois lados quer ser o primeiro a abrir mão do seu instrumento de pressão. A informação vem de seis fontes ouvidas pela Reuters, entre interlocutores iranianos, autoridades regionais e diplomatas ocidentais.

Por que nenhum lado quer ceder primeiro?

Porque o Estreito de Ormuz e o bloqueio econômico são as duas principais cartas de barganha do conflito. O Irã sofre com o embargo americano. Os Estados Unidos querem de volta a livre passagem de petroleiros pela rota, hoje controlada pela Guarda Revolucionária Islâmica.

Uma autoridade iraniana descreveu o caminho mais provável para destravar o impasse, à margem da Assembleia Geral da ONU:

Uma saída seria resolver a crise em etapas. A primeira seria encerrar o bloqueio e reabrir Ormuz.

Pelo desenho em discussão, o Irã ganharia acesso a ativos hoje congelados. Do lado americano, o entendimento exigiria que Trump aceitasse mais uma solução temporária, depois que um acordo anterior sobre Ormuz fracassou em julho.

Uma autoridade europeia, não identificada, resumiu o obstáculo.

Segundo ela, os iranianos têm "uma lista muito longa de exigências".

No mesmo dia, cerca de 80 países reunidos na Assembleia Geral da ONU exigiram a reabertura urgente do Estreito de Ormuz e condenaram os ataques do Irã e dos houthis do Iêmen na região.

"As ações do Irã no Estreito de Ormuz continuam a ameaçar a segurança internacional e o direito à liberdade de navegação", disse o comunicado conjunto, lido pelo chanceler do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani.

O impasse importa para o bolso do consumidor brasileiro. Em agosto, quando as negociações sobre Ormuz avançaram, o petróleo caiu e a Petrobras reduziu o preço da gasolina nas refinarias.

É o mesmo mecanismo que pode se repetir agora. Cada avanço nas tratativas tende a aliviar o preço do barril, e cada recuo pressiona para cima.

Nosso balanço de seis meses de guerra no Oriente Médio mostrou como o conflito também abriu oportunidades para exportadores brasileiros de petróleo e alimentos, mesmo com o custo mais alto do combustível.

O que acontece agora

Trump disse acreditar que EUA e Irã só devem fechar acordo depois das eleições legislativas de 3 de novembro nos Estados Unidos. Até lá, a Casa Branca e o Departamento de Estado dos EUA não comentam o andamento das tratativas.

O que decide se o combustível fica mais barato no Brasil

A resposta não está em Brasília, mas em Nova York e Teerã. Enquanto nenhum dos lados aceitar ceder primeiro, o barril de petróleo segue refém do impasse. Em agosto, o efeito no preço da gasolina apareceu e sumiu na mesma velocidade das tratativas.