O petróleo Brent caiu 1,33% na madrugada desta quarta-feira (23), a US$ 97,93, e reverteu para uma alta de 1,25%, a US$ 100,49, na mesma manhã. O movimento acompanhou as negociações entre Estados Unidos e Irã e a retomada de um oleoduto saudita.

A queda inicial refletiu declarações de Trump após uma reunião de 3 horas com representantes iranianos, que ele chamou de "muito boa e produtiva". Um dia antes, na ONU, o presidente americano tinha ameaçado "aniquilar" o Irã.

Por que o preço oscilou tanto num único dia?

Dois fatores puxam o preço em direções opostas. Do lado da queda, o oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita, com capacidade de 7 milhões de barris por dia, pode retomar operação esta semana.

O oleoduto tinha parado havia duas semanas, por ataques de drones dos houthis do Iêmen, aliados do Irã. Do lado da alta, o Brent já vinha caindo em apostas na diplomacia, quase 9% nas últimas cinco sessões antes desta quarta.

Isso deixou o mercado mais sensível a qualquer sinal de risco. Segundo nota do banco japonês MUFG, os EUA bloqueiam portos iranianos, o Irã ataca embarcações no Estreito de Ormuz, e os houthis ameaçam a navegação saudita perto de Bab el-Mandeb.

Para Stephen Innes, da Quintex Intel, a reunião entre EUA e Irã muda o tipo de aposta do mercado: "faz o mercado deixar de precificar apenas uma escalada e passar a considerar um processo diplomático real, ainda que um acordo definitivo continue parecendo distante".

O que isso muda no bolso do brasileiro?

No Brasil, o efeito ainda não chegou ao posto. Em 17 de setembro, a Petrobras subiu o diesel em R$ 1 por litro para as distribuidoras, mas o programa federal de subvenção deu desconto igual, e o preço final não mudou.

A defasagem entre o diesel vendido pela Petrobras e o custo de importação, porém, já é recorde: R$ 3,89 por litro, segundo cálculo da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom).

O Brasil importa cerca de 25% do diesel que consome, com as refinarias perto do limite de utilização. Petrobras e ANP afirmam que o abastecimento segue monitorado e os volumes contratados estão sendo entregues.

O aumento do risco já tinha aparecido antes: um ataque à Aramco, a petrolífera saudita, reacendeu o medo de um novo choque do petróleo semanas atrás, e o presidente Lula citou a alta de combustível e comida na própria ONU.

O ponto em aberto

A subvenção segura o preço na bomba por enquanto, mas cobre uma defasagem que já bateu recorde. Ela pode crescer se o Brent seguir instável. A reunião entre Trump e Xi Jinping começa nesta quinta (24/09) e é mais um fator no radar do mercado.