A Superintendência-Geral do Cade aprovou nesta quarta-feira (30) a compra de cerca de 12% das ações do Grupo Assaí por fundos ligados à família Muffato, dona da rede de atacarejo Max Atacadista. A decisão saiu sem restrições, após sete meses de análise.
A operação foi notificada ao Cade em maio e consiste na aquisição, via bolsa, de ações do Grupo Sendas, controlador da bandeira Assaí. Os compradores são os fundos Snapper Rocks e WHG Apache, ligados a Ederson e Everton Muffato, também acionistas do Grupo Muffato.
O Grupo Sendas fechou 2025 com faturamento bruto de R$ 84,7 bilhões, alta de 5,2% sobre 2024, segundo balanço divulgado pela própria empresa. O valor é mais de mil vezes o patamar mínimo que obriga a notificação ao Cade.
Os investidores afirmam que não pretendem mudar o controle ou a administração do Grupo Sendas, que seguirá independente do Grupo Muffato. Não haverá eleição para o conselho de administração até 2027.
"A operação constitui um investimento financeiro realizado pelos investidores na empresa-alvo (Grupo Sendas), de forma que o Grupo Muffato e o Grupo Sendas continuarão a operar de forma totalmente independente, sem troca de informações sensíveis", escreveu o superintendente-geral interino do Cade.
O Cade tratou a compra como simples aplicação financeira, não como risco à concorrência.
A Superintendência-Geral afastou preocupações concorrenciais citando rivais como o Grupo Carrefour, presentes nos mesmos mercados: atacarejo, clubes de compra e supermercados de porte parecido. O Valor Econômico registrou a fatia adquirida como 11,7% do capital, enquanto o documento do Cade cita 12,0134%.
O Grupo Muffato opera as bandeiras Super Muffato e Max Atacadista, com 118 lojas em cerca de 50 cidades do Paraná e de São Paulo, e cerca de 25 mil funcionários diretos.
O que acontece agora
A operação já pode ser concluída, já que a aprovação da Superintendência-Geral foi sem restrições. Por enquanto, não há mudança na gestão do Grupo Sendas nem eleição prevista para o conselho de administração antes de 2027.
O Assaí também comprou 18 postos de combustível por até R$ 80 milhões, em outro movimento recente de expansão da rede.
Fundos comprando fatia relevante sem assumir controle não é inédito. Em junho, o Cade aprovou a compra de 11,9% da Oncoclínicas por fundos do Banco Master em condições parecidas.
O movimento acontece num momento de consolidação do varejo brasileiro. Em agosto, grandes redes fecharam 1,1 mil lojas e cortaram 46 mil vagas em busca de eficiência.






























