Os gastos do Poder Judiciário bateram recorde em 2025 e somaram R$ 164,6 bilhões, o maior valor desde 2009, início da série histórica do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). A alta foi puxada pelas despesas com pessoal, que subiram 9% em relação a 2024.

Os dados constam no relatório Justiça em Números, divulgado pelo órgão. O gasto com pessoal é o que mais pesa no orçamento do Judiciário: chegou a R$ 148,5 bilhões, o equivalente a 90,2% da despesa total em 2025.

O pagamento de verbas indenizatórias, que incluem adicionais capazes de ultrapassar o teto constitucional, somou R$ 9,8 bilhões em 2025. É quase o dobro do investimento feito pelos tribunais em tecnologia no mesmo período.

As verbas incluem diárias, passagens e auxílio-moradia, além de outros benefícios que inflam contracheques. Em muitos casos, resultam em supersalários.

Entre elas está a licença compensatória, que dava direito a um dia de folga a cada três trabalhados em atividades extraordinárias e podia ser convertida em pagamento.

Esse adicional foi proibido pelo STF em julgamento de março deste ano. Naquele mês, uma comissão criada pelo presidente do STF e do CNJ, Edson Fachin, já havia identificado gasto elevado com penduricalhos acima do teto só para a magistratura.

Quanto o Judiciário arrecadou em 2025?

A Justiça arrecadou R$ 68,2 bilhões em 2025, o equivalente a 41% dos gastos totais — queda de 8,9% em relação ao ano anterior. A receita vem de processos judiciais e extrajudiciais, emolumentos de cartório e imposto de inventário.

O custo total do Judiciário representou 1,3% do PIB do país em 2025, além de 2,7% dos gastos somados de União, estados, Distrito Federal e municípios.

O salto de 2025 chama atenção pelo ritmo: o relatório anterior do CNJ havia registrado R$ 146,5 bilhões em gastos de 2024, alta de 5,5% sobre 2023. A variação para 2025 é de cerca de 12%, mais que o dobro do avanço do ano anterior.

Naquele levantamento de 2024, o Judiciário brasileiro já ocupava a 2ª posição em gasto proporcional ao PIB entre 50 países analisados, atrás só de El Salvador.

Crise de confiança e caso Banco Master

Os supersalários foram um dos principais fatores de desgaste do Judiciário neste ano. Somam-se ao envolvimento de magistrados de cortes superiores no caso do Banco Master, que tramita no STF.

Um levantamento de opinião divulgado na sexta-feira (18) mostrou baixa confiança da população no Poder Judiciário, resultado que acompanha o desgaste do ano.

A TV Sim Brasil não traz o número fechado por não ter, até o fechamento desta reportagem, todos os dados metodológicos completos do levantamento.

A crise reacende no Congresso o debate sobre limites de poder entre os Três Poderes. O Congresso resgatou propostas para limitar o STF no mesmo dia em que a Corte discutiu pela primeira vez abrir investigação contra um de seus próprios ministros.

Fachin já havia defendido publicamente que é preciso separar o joio do trigo no debate sobre salário de juízes.

O que acontece agora

As regras do CNJ contra penduricalhos acima do teto seguem em aplicação nos tribunais. Isso ocorre após a proibição da licença compensatória convertida em pagamento, decidida pelo STF em março.

O órgão ainda não divulgou data para uma nova rodada de fiscalização das verbas que resultam em supersalários.