A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, retomou no domingo (1º de novembro) os saques de bitcoin e ether, depois de recompor 95% dos US$ 6,3 bilhões roubados de sua plataforma. O FBI atribui o ataque a um grupo ligado à Coreia do Norte.

O roubo pode ser o maior assalto financeiro da história, segundo analistas.

O FBI confirmou no sábado que o grupo de hackers TraderTraitor, ligado ao governo norte-coreano, foi responsável pelo ataque. A Coreia do Norte nega há anos usar grupos cibernéticos ligados ao Estado para espionagem e roubos financeiros.

A missão norte-coreana em Genebra e a embaixada do país na China não responderam aos pedidos de comentário. Já o presidente dos EUA, Donald Trump, disse no sábado que o governo americano ainda não tinha certeza sobre o envolvimento da Coreia do Norte.

A maior parte do roubo ocorreu em cerca de 20 minutos, a partir da noite de quinta-feira, com semelhanças a ataques anteriores atribuídos à Coreia do Norte.

O episódio se soma a uma série recente de ataques contra o setor de criptomoedas. No ano passado, criminosos roubaram o equivalente a US$ 2,9 bilhões em quase 150 ataques, segundo a TRM Labs.

Sozinho, este roubo contra a Binance supera mais que o dobro do que todo o setor de criptomoedas perdeu no ano anterior.

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Como a Binance recompôs o prejuízo

A Binance recompôs os 95% dos US$ 6,3 bilhões roubados usando recursos próprios para comprar tokens de substituição. A empresa repôs US$ 6 bilhões; os 5% restantes são ativos de menor liquidez, que podem levar mais tempo para serem adquiridos.

A primeira fase da retomada abrange 15 criptoativos, entre eles bitcoin, ether, XRP e dogecoin; os saques de bitcoin foram restabelecidos pouco depois das 3h, no horário de Brasília.

O FBI afirmou que integrantes do grupo converteram os ativos roubados principalmente em ether. A agência espera novas etapas de lavagem por meio de plataformas de finanças descentralizadas e serviços de troca instantânea de criptomoedas.

É o mesmo tipo de rota de lavagem que já apareceu em ataques de hackers brasileiros contra bancos.

O que acontece agora

Os 5% do prejuízo que ainda faltam repor são ativos de menor liquidez, sem prazo definido pela Binance. O FBI segue monitorando a rota do dinheiro, que deve passar por serviços de troca instantânea antes de qualquer nova tentativa de saque.