Um em cada cinco adolescentes de 12 a 17 anos sofreu ao menos uma forma de exploração ou abuso sexual facilitado pela tecnologia em um ano, segundo estudo do Unicef em parceria com a Interpol e a ECPAT International, feito em 21 países.
No Brasil, o índice chega a 19%, o equivalente a cerca de 3 milhões de crianças e adolescentes atingidos em 12 meses. Menos de 1% dos casos chegou às autoridades.
O levantamento, do projeto Disrupting Harm, mostra que quase 60% dos casos aconteceram em redes sociais e aplicativos de mensagem, e 14% em jogos online. Entre as vítimas, 14% receberam imagens sexuais sem pedir, e 9% foram pressionadas a enviar fotos íntimas.
Segundo o Unicef, Instagram e WhatsApp são as plataformas mais citadas pelas vítimas, com 59% e 51% das menções. Outros 5% receberam ofertas de dinheiro ou presentes em troca de imagens sexuais.
O silêncio é outro dado do estudo: 34% das vítimas nunca contaram o que sofreram a ninguém, 24% contaram para um amigo, e só 12% recorreram à mãe.
O silêncio é o maior obstáculo: a maioria das vítimas nunca conta o que viveu, o que ajuda a explicar por que tão poucos casos chegam à polícia ou ao Ministério Público.
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Entrou em vigor o ECA Digital, que é uma legislação de vanguarda.
Disse Luiza Fachin Teixeira, especialista do Unicef em proteção contra violências. Para ela, o país avançou na lei, mas precisa investir mais em prevenção, conscientizando famílias, escolas e os próprios jovens sobre os riscos da internet.
O Brasil tentou endurecer a resposta legal nos últimos meses. O Senado aprovou, em julho, penas mais duras para crimes sexuais digitais contra menores.
A Autoridade Nacional de Proteção de Dados também lançou um canal específico para denúncias sobre o ECA Digital, a legislação citada pela especialista do Unicef.
As redes sociais também passaram a ter canal direto com a Polícia Federal para reportar crimes contra crianças.
Como as escolas estão reagindo
Uma escola de Belo Horizonte incluiu o tema na grade curricular deste ano, com aulas de um especialista em direito criminal para o ensino médio. O professor Lucas Andrade, que dá as aulas, diz que os pais devem acompanhar de perto as redes dos filhos.
"A verdade é que a internet hoje não é terra de ninguém. Ela é uma terra regulada por leis, por normas. É um problema criminal", afirma Andrade. "Não é só um problema de escola. Precisa ser feita a ocorrência, a denúncia ao Ministério Público".
O que acontece agora
Famílias que suspeitarem de abuso sexual contra crianças ou adolescentes podem denunciar pelo Disque 100, canal do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, por telefone (100) ou WhatsApp (61) 99611-0100, 24 horas por dia.
Só entre janeiro e abril deste ano, o canal registrou 32,7 mil denúncias de violação sexual contra crianças e adolescentes no país, encaminhadas a conselhos tutelares e ao Ministério Público.































