A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, afirmou no domingo (1º de novembro) que o movimento vai manter a mobilização nas ruas após a reeleição de Lula. A entidade participou de 200 atos estudantis entre os dois turnos das eleições.

Ela tem 27 anos, é formada em direito pela USP e filiada ao PCdoB.

Bianca assumiu a presidência da UNE em 2025, eleita com 82,62% dos votos no 60º Congresso da entidade. Antes disso, ela já havia enfrentado a reitoria da USP em resposta a reivindicações estudantis não atendidas.

"Essa é uma lição muito importante, que nos manterá nas ruas. Para quem tem dúvida, a gente não está disposto a voltar para casa", disse Bianca.

O retorno às ruas estava marcado para hoje, com seis atos em defesa da "soberania do Brasil com 's'", referência ao erro na carta de Flávio Bolsonaro. Em São Paulo, a concentração seria na Praça Roosevelt, desde as 12h.

O que a UNE pede agora

A UNE quer tarifa zero no transporte para estudantes em todos os dias da semana e a regulamentação do capital estrangeiro no ensino superior privado, hoje sem limite na legislação brasileira. Bianca defende também mais financiamento para as universidades federais.

"Queremos criar a tarifa zero no transporte para os estudantes a semana inteira e aprovar a regulamentação do ensino superior privado, hoje nas mãos de conglomerados de capital estrangeiro", afirmou Bianca.

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O setor já vive esse movimento: em setembro, as redes Yduqs e Afya fecharam fusão de R$ 9 bilhões, somando 16,6% das vagas de medicina do país. Para a UNE, é esse tipo de movimento que torna urgente regular o capital estrangeiro.

Bianca chamou de bem-vinda a universalização do Pé-de-Meia para as universidades públicas, anunciada às vésperas do 2º turno, mas disse que a bolsa não é suficiente. "Para ter permanência, a gente precisa pensar em um ecossistema maior", afirmou.

O que acontece agora

A UNE deve seguir reivindicando restaurantes universitários de baixo custo, moradia estudantil e passe livre nos próximos meses. Bianca também cobra a ampliação do orçamento das universidades federais. O debate sobre a regulamentação do capital estrangeiro no ensino superior deve avançar no Congresso.