O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começa o 4º mandato com a bancada mais estreita de sua carreira. Ele mesmo reconhece: "Sou presidente de um país em que o meu partido só tem 70 deputados em 513 e só 9 senadores em 81."
Do outro lado, o PL se tornou a maior bancada do Congresso: 121 deputados e até 28 senadores a partir de 2027, segundo o cientista político Sérgio Abranches.
Como Lula pretende fechar essa conta?
Lula negocia hoje com PSD, MDB e União Brasil, além de sondar PP e Republicanos, segundo reportagens sobre a articulação do novo governo. O Centrão, somado, ocupa cerca de 207 das 513 cadeiras da Câmara.
Para Abranches, da Fundação Getulio Vargas, o presidente terá de ir além da base tradicional. "Lula vai precisar colocar mais os partidos que elegeram poucos deputados e ainda transformar alguns partidos bolsonaristas em aliados", avalia o cientista político.
Essa é uma mudança de método em relação a 2003-2010, quando o PT tinha bancada maior. Hoje, segundo a cientista política Daniela Constanzo, o Centrão encolheu de 50% para 45% da Câmara, e ministério não garante mais lealdade irrestrita.
A pressão das ruas entra na conta?
Constanzo defende que, com a oposição ocupando metade do Senado, cada pauta do governo vai depender de negociação caso a caso, e não de uma base fixa e previsível.
Publicidade
"Agora, cada pauta, você vai lá negociar com todo mundo", resume. Ela cita a mobilização sindical que ajudou a aprovar o fim da escala 6x1 como exemplo de pauta que só avançou com pressão popular, não apenas acordo de cúpula.
O ponto em aberto
As três leituras concordam no diagnóstico e divergem no remédio: para Abranches, a saída é engenharia de coalizão; para Constanzo, é mobilização pauta a pauta. Nenhuma garante que o critério de lealdade ao Planalto resista ao primeiro teste de votação apertada no plenário.































