O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), negocia a libertação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) da prisão em troca de apoio da direita à sua reeleição na Casa, em fevereiro de 2027. As vias em estudo são indulto com Lula e anistia do Congresso.
O indulto humanitário dependeria de aceno direto de Lula, via considerada pouco provável por auxiliares de Alcolumbre. Já a anistia aprovada pelo Congresso é vista como o caminho mais viável, embora o STF possa barrá-la depois de votada.
Bolsonaro está inelegível até pelo menos 2060 por condenações eleitorais.
A pena por tentativa de golpe é separada dessas condenações. Uma eventual libertação não devolveria o direito de disputar eleições, mas tiraria o ex-presidente da prisão em que cumpre pena desde a condenação pela trama golpista e aliviaria a pressão política em torno do caso.
Alcolumbre busca, com a oferta, atrair os votos do PL para enfraquecer os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS), os dois nomes que disputam a presidência do Senado com ele.
Um segundo objetivo, segundo auxiliares, é reduzir a pressão por impeachment de ministros do Supremo, em especial Alexandre de Moraes, amigo pessoal de Alcolumbre.
O PL é hoje a maior bancada do Senado depois de eleger novos senadores em outubro, com 29 cadeiras. Alcolumbre afirma ter o apoio de 48 parlamentares, acima dos 41 votos necessários para vencer a eleição de fevereiro de 2027 em primeiro turno.
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A proposta, porém, não encontrou consenso entre os próprios bolsonaristas. Líder da oposição no Senado, Rogério Marinho condiciona qualquer anistia à inclusão do próprio Bolsonaro entre os beneficiados.
"A anistia é ampla, geral e irrestrita. Vamos à votação", disse Marinho, que afirma não ter sido consultado por Alcolumbre sobre a proposta.
Setores bolsonaristas reagiram com desconfiança a uma anistia alternativa que excluísse justamente quem a motivou, e o PL avalia lançar a candidatura própria de Marinho à presidência da Casa.
Este é o segundo movimento de Alcolumbre nesse sentido. Em outubro, ele já articulava apoios para a reeleição, mas ainda sem oferecer a libertação de Bolsonaro como moeda de troca.
O que acontece agora
A bancada do PL se reúne em 4 de novembro de 2026 para discutir se mantém a disputa própria ou aceita negociar com Alcolumbre. A eleição da Mesa ocorre em 1º de fevereiro de 2027, quando ficará claro se a aposta deu certo.
Até lá, qualquer texto de anistia ou indulto depende de avançar no Congresso e sobreviver a um eventual recurso ao STF.































